* Sergio Galdini
Uma federação do PSOL com o PT ameaça nossa independência política e nos submete ao grande capital
“O PSOL hoje encontra-se em federação com a Rede e caminha para renová-la pelos próximos 04 anos. Porém, a Executiva Nacional do partido decidiu, em sua última reunião, 11 de fevereiro, reabrir o debate sobre federação com PT, PC do B e PV, ao que tudo indica a pedido da corrente interna Revolução Solidária, cujo principal quadro nacional, Guilherme Boulos, tornou-se ministro da Secretaria Geral da presidência de Lula. O PSOL surgiu, cresceu e se consolidou como um partido de esquerda, alternativo ao transformismo do PT, que renunciou à luta socialista e consolidou-se como um partido da ordem capitalista, cumprindo, em que pese as mediações com demandas populares, importante papel na estabilização política da hegemonia burguesa no Brasil com a manutenção do modelo neoliberal. No período mais recente, com a ascensão da extrema-direita, o PSOL, pela primeira vez em sua história, abriu mão de ter candidatura presidencial própria para apoiar Lula ainda no primeiro turno de 2022. Mesmo compreendendo a necessidade de derrotar a extrema-direita, o partido não deixou de afirmar sua independência, defendendo medidas progressistas do governo mas opondo-se aos retrocessos, como a adoção do Arcabouço Fiscal.
Essa combinação tática de combate à extrema-direita e defesa dos interesses do povo trabalhador, posiciona o PSOL como importante partido no cenário brasileiro. O argumento em defesa da entrada do PSOL na federação petista, é eleitoral: seria uma maneira mais segura de superarmos a cláusula de barreira, uma regra da legislação eleitoral que estabelece uma votação mínima para que os partidos ou federações sigam acessando o fundo partidário e tendo acesso ao tempo de Rádio e TV. A legislação brasileira estabelece ainda que a Federação é um tipo especial de “união estável” entre partidos que tenham afinidade programática e que dura, pelo menos, quatro anos. Partidos federados funcionam como se fossem um só e tem que ter programa e direção comum, ao contrário das coligações, que são alianças temporárias e pontuais. O PSOL tem hoje 13 deputados/as federais e é uma consolidada referência política e eleitoral em nível nacional, o que nos possibilita superar a cláusula de barreira em 2026, repetindo o feito alcançado em 2022.
A política econômica do governo continua a ser neoliberal, se submetendo aos interesses da grande burguesia e aliando-se ao “Centrão”. Uma federação com o PT iria identificar automaticamente o PSOL não apenas com o PT, mas com o próprio governo federal, não à toa as correntes que defendem a Federação são exatamente aquelas que estão ocupando espaços, inclusive ministérios, no governo Lula. O fato é que o PT deixou de ser um partido de esquerda e se consolidou como um partido de centro-esquerda. Ao fazer esse movimento, deixou um espaço à esquerda que pode ser ocupado pelo PSOL, mas para isso precisamos de ousadia e independência política. O enfrentamento à extrema direita segue sendo tarefa fundamental e isso não está em discussão. A grande questão é como fazer esse enfrentamento. A estratégia petista de abandonar o sonho socialista e se resumir à gerir um melhorismo capitalista, não resolve o combate à extrema direita. Para derrotá-la temos que partir de lutas concretas, mas apontando para a superação, pela esquerda, da crise do capital. Infelizmente quem tem capitalizado essa insatisfação, por hora, é a extrema direita, erroneamente tida como antissistêmica.
A APS refuta com veemência o ingresso do PSOL na federação partidária liderada pelo PT. A associação subordinada ao PT significaria uma capitulação e o fim da nossa independência política, além de um inaceitável rebaixamento político e programático. Na prática significaria o fim da nossa identidade política, conquistada com muito esforço por milhares de militantes ao longo de mais de 20 anos de intensa militância. Colocaria ainda o PSOL ao lado de diversos partidos e lideranças da direita, que expressam os interesses das principais frações da burguesia tais como o agronegócio, o capital imobiliário e o capital financeiro.
Por tudo isso é inaceitável a proposta de Federação do PSOL com o PT. Não seria apenas um erro, mas um suicídio político. Por um PSOL forte, independente, de lutas e socialista.”
* Sergio Galdini é professor de jornalismo da UEPG.
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Fonte:Blog do Tupan





