A população de Quedas do Iguaçu convive diariamente com problemas na saúde, infraestrutura precária e serviços públicos deficientes. Enquanto isso, documentos oficiais do Quadro Funcional da Prefeitura, referentes à competência de abril de 2026, mostram um cenário que vem gerando revolta entre moradores: o município mantém uma verdadeira tropa de cargos comissionados, aqueles preenchidos sem concurso público.
Segundo o relatório, a prefeitura possui atualmente 60 servidores comissionados. O número chama atenção para uma cidade do porte de Quedas do Iguaçu e levanta questionamentos sobre a real necessidade de tantos cargos de confiança dentro da administração municipal.
A estrutura administrativa está recheada de funções como Assessores de Secretaria, Assessores de Departamento níveis I, II e III, além de coordenadores distribuídos em diversos setores da prefeitura.
A Secretaria de Administração aparece como uma das principais concentradoras dessas nomeações, reunindo assessores técnicos, cargos de gabinete e funções estratégicas ligadas à gestão interna.
Na área da saúde, considerada uma das mais sensíveis para a população, o volume de cargos comissionados também chama atenção. Há registros de funções semelhantes ocupadas por diferentes assessores, especialmente cargos classificados como Assessor de Departamento Nível I.
Outro ponto que gerou críticas foi o chamado “jogo das cadeiras” envolvendo exonerações e renomeações praticamente imediatas dentro da prefeitura.
O caso de Fabiana Tomaz de Godoy Rufato aparece no relatório com exoneração de um cargo C-12 na Secretaria de Saúde em 1º de abril de 2026 e nova nomeação já no dia seguinte, 2 de abril, como Assessora C-11 na Assistência Social.
Situação semelhante ocorreu com Gilberto Andrade dos Santos, que foi exonerado em 1º de abril e readmitido no dia seguinte na própria Secretaria de Saúde, alterando apenas a nomenclatura da função para Assessor Nível III.
O contraste revolta parte da população. Enquanto aumentam os cargos de confiança e funções de gabinete, moradores reclamam da falta de médicos, demora em atendimentos, ruas sem manutenção e carência de medicamentos básicos.
Para muitos cidadãos, cada salário destinado a indicações políticas representa menos investimentos em áreas essenciais do município.
Diante da repercussão, moradores e representantes da sociedade civil cobram fiscalização rigorosa e uma auditoria detalhada sobre os gastos com cargos comissionados na administração municipal.
Informações: Portal Transparência de Quedas do Iguaçu.
Texto: Aldrovando Cantagalo







