O deputado federal Geraldo Mendes (União-PR), o “Homem do Chapéu”, publicou um vídeo em suas redes sociais negando qualquer relação com o motorista Sidney Santos, conhecido como “Kiko”, que atuava para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A reportagem publicada pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, apontou que o nome do gabinete de Mendes constava em registros de portaria da Câmara dos Deputados obtidos via Lei de Acesso à Informação, indicando uma suposta visita em fevereiro de 2024. Em nota enviada após a publicação, o parlamentar afirmou que nunca recebeu ou conversou com o motorista, em nenhum lugar, e que o registro foi feito de forma unilateral na portaria, sem qualquer autorização do gabinete.
Diferentemente do que a repercussão do caso possa sugerir, Geraldo Mendes não é investigado, não é réu e não é arrolado como testemunha de acusação em nenhum processo que envolva Vorcaro, o Banco Master ou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou buscas relacionadas ao caso. O próprio texto da decisão do STF trata da relação entre Vorcaro e Nogueira e não cita o deputado paranaense. Em sua nota, Mendes anunciou que vai solicitar as imagens das câmeras internas da Câmara para esclarecer o episódio e reforçou que sua atuação legislativa sobre créditos de carbono — tema de interesse de Vorcaro — decorre de suas funções institucionais, como a segunda vice-presidência da Comissão de Minas e Energia entre 2023 e 2024 e a autoria do Projeto de Lei nº 5.157/2023, voltado à agricultura familiar. O deputado destacou ainda que apoiou a criação da CPI do Banco Master, medida dificilmente compatível com quem tivesse algo a esconder no caso.
Aliados do parlamentar veem na reportagem uma tentativa de desgaste político em ano eleitoral. Eleito em 2022 com 71.990 votos, Geraldo Mendes construiu, ao longo do mandato, um trabalho municipalista reconhecido em praticamente todas as regiões do Paraná, percorrendo dezenas de cidades e destinando recursos federais a áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública — atuação que levou o União Brasil a confirmar sua candidatura à reeleição em 2026. Nos bastidores da campanha, a expectativa é de que o deputado figure entre os mais votados do estado, com projeções que apontam para uma faixa entre 130 mil e 150 mil votos.
É nesse contexto que a proximidade do pleito de outubro alimenta a leitura, entre apoiadores do deputado, de que vincular seu nome a um episódio periférico — o simples registro de portaria, sem confirmação de encontro e sem qualquer menção em inquérito — funcionaria como instrumento de desgaste contra um dos nomes mais competitivos do Paraná. Enquanto isso, Geraldo Mendes mantém a mesma resposta dada por outros parlamentares citados no mesmo levantamento, como Sanderson e Pedro Westphalen, que também negaram ter recebido o motorista: a de que constar na portaria não equivale a ter se encontrado com alguém, e que os registros oficiais de agenda são a prova cabível de quem de fato foi recebido em cada gabinete.
Procurada pela reportagem, a assessoria jurídica do deputado informou que está avaliando as medidas cabíveis para preservar a imagem do parlamentar, incluindo eventual responsabilização de quem publicar informações inverídicas ou descontextualizadas sobre o caso.
Assista ao vídeo-resposta:







