Sequência de acidentes reforça discussão sobre uma política ambiental que concilie preservação e segurança da população
Mais uma queda de galho de árvore na Praça Osório, no Centro de Curitiba, deixou uma pessoa ferida e reacendeu o debate sobre a necessidade de rever a política de manejo da arborização urbana da capital. O acidente ocorreu nesta sexta-feira, dia 23 de outubro, quando um homem de 24 anos estava sentado em um banco e foi atingido pelo galho. Ele sofreu uma luxação no tornozelo e foi encaminhado ao Hospital XV, especializado em ortopedia e traumatologia.
Apesar do ferimento, a vítima escapou de consequências mais graves. Segundo o cabo Lourival Filho, do Corpo de Bombeiros, o homem teve sorte porque o galho atingiu apenas o pé. “Ele deu muita sorte”, afirmou o bombeiro, ao alertar que o resultado poderia ter sido muito diferente caso a estrutura tivesse atingido a cabeça da vítima.
O episódio reforça uma preocupação que já não pode ser tratada como um caso isolado. Em 13 de junho, Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, foi atingida por um galho enquanto passeava com familiares pela Feira de Inverno, também na Praça Osório. Ela sofreu fraturas nas vértebras T5 e T6, lesão grave na medula espinhal e perfuração no pulmão. A jovem perdeu os movimentos das pernas e precisou passar por cirurgias no Hospital do Trabalhador. Recebeu alta em 15 de julho, após mais de um mês internada, e iniciou uma longa etapa de recuperação.
Em 16 de outubro, outro acidente envolvendo a queda de um galho de grande porte atingiu um carro estacionado e feriu uma mulher durante um temporal. Na sequência, a Prefeitura suspendeu preventivamente a Feira de Primavera e anunciou a transferência das feiras realizadas na praça para outro endereço.
A sucessão de ocorrências levanta uma questão que vai além das vistorias e podas anunciadas pelo município: como garantir que a arborização de Curitiba continue sendo um patrimônio ambiental sem transformar espaços públicos em áreas de risco?
Muitas árvores da Praça Osório têm mais de 40 anos. A idade, por si só, não significa que uma árvore esteja condenada ou represente perigo. No entanto, exemplares antigos precisam de acompanhamento técnico contínuo, com avaliação das condições do tronco, das raízes, da copa e de possíveis comprometimentos estruturais.
Recentemente as árvores foram analisadas e a maioria passou no teste, o que revela que as medições não são precisas e o protocolo precisa flexibilizar até mesmo em áreas residenciais.
Outro ponto que merece atenção é a presença de erva-de-passarinho, popularmente chamada de “coco de passarinho”, em árvores urbanas. A planta parasita pode comprometer o vigor de determinadas espécies e contribuir para sua deterioração, dependendo do grau de infestação. Por isso, a avaliação deve considerar cada exemplar, sem generalizações.
A Prefeitura informou, após ocorrências anteriores, que a praça havia passado por vistorias e serviços de poda. Cerca de 100 árvores receberam intervenções e outras seis foram removidas preventivamente. Mesmo assim, novos episódios mostram a importância de avaliar a eficácia dos procedimentos e a necessidade de atualizar os critérios de manutenção e prevenção.
O debate também envolve posições políticas contrárias à derrubada de árvores em Curitiba. A preservação ambiental é fundamental, mas uma política que trate todos os exemplares como intocáveis, independentemente de sua condição, não atende necessariamente ao interesse público. A remoção de uma árvore deve ser excepcional, tecnicamente justificada e acompanhada de medidas compensatórias, como o plantio de novas mudas. Quando houver risco comprovado e não existir alternativa segura, porém, a segurança das pessoas precisa prevalecer.
A Praça Osório é um dos espaços tradicionais de convivência da capital, frequentado por moradores, trabalhadores e turistas. Quem procura um banco para descansar não pode ficar exposto ao risco de ser atingido por um galho. A população tem direito tanto a uma cidade arborizada quanto a espaços públicos seguros.
A discussão não deve ser reduzida a uma disputa entre ambientalistas e defensores da remoção de árvores, principalmente entre os esquerdistas e na Câmara Municipal de Curitiba que pregam que são intocáveis.
Depois de mais uma vítima escapar de consequências potencialmente graves, Curitiba precisa avaliar se as medidas atuais são suficientes ou se chegou a hora de rever sua política de arborização urbana.
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Fonte:Blog do Tupan








