Decisão preventiva busca proteger a população após sucessivos acidentes
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), acertou ao determinar o fechamento imediato da Praça Osório, no Centro da capital, após mais uma queda de galho deixar uma pessoa ferida. A decisão, anunciada no final da tarde de sexta-feira, dia 23 de outubro, prevê o isolamento completo do espaço e a antecipação das obras de revitalização, inicialmente programadas para fevereiro de 2027. Diante da repetição dos acidentes, a prioridade precisa ser a segurança dos curitibanos que utilizam a praça diariamente.
O caso mais recente envolveu um homem de 24 anos que estava sentado em um banco quando foi atingido por um galho. Ele sofreu uma luxação no tornozelo e foi encaminhado ao Hospital XV. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima renasceu porque o ferimento não foi mais grave. Se o galho tivesse atingido a cabeça ou outra parte vital do corpo, as consequências poderiam ser muito diferentes.
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O acidente reforça a necessidade de uma resposta efetiva do poder público. Em junho, Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, sofreu lesões graves na coluna e na medula espinhal após ser atingida por um galho na mesma praça. Em outubro, outra ocorrência provocou ferimentos em uma mulher e atingiu um carro estacionado. A sequência de episódios mostra que a manutenção da arborização precisa ser tratada como uma questão de segurança pública, sem abandonar a preservação ambiental.
“Eu determinei que a Praça Osório será totalmente isolada”, afirmou Eduardo Pimentel. Segundo o prefeito, o fechamento também leva em consideração a previsão de chuva e ventos para os próximos dias. A prefeitura deverá instalar tapumes para impedir a circulação de pedestres até que o local esteja em condições seguras.
O projeto de revitalização prevê recuperação do calçamento, novas áreas de lazer, construção de uma quadra poliesportiva e instalação de um parquinho inclusivo. A administração municipal também pretende intensificar os serviços de poda, avaliação e remoção de árvores. De acordo com Pimentel, o número de equipes dedicadas aos trabalhos deverá passar de três para pelo menos cinco.
A medida é necessária, mas o desafio vai além da Praça Osório. Curitiba tem ruas, calçadas e outros espaços públicos que também precisam de avaliação permanente da arborização. O município terá de identificar árvores com comprometimento estrutural, galhos secos, raízes prejudicadas e sinais de infestação por plantas parasitas, priorizando locais de grande circulação de pessoas.
Um dos pontos que merecem atenção é a presença da chamada erva-de-passarinho, popularmente conhecida em algumas regiões como “coco de passarinho”. Essas plantas se fixam nos galhos e retiram água e nutrientes das árvores hospedeiras. Quando a infestação é intensa, enfraquecem os exemplares e contribuiem para a queda.
Muitas árvores da Praça Osório foram plantadas há mais de 50 anos, segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A proximidade entre os exemplares e a busca por luz, em meio aos prédios do entorno, também influenciaram o crescimento das copas.
Em árvores muito comprometidas, a poda ou o tratamento podem não ser suficientes. Nesses casos, a remoção tecnicamente justificada deve ser considerada, especialmente quando há risco para quem circula pelo local. Preservar o verde da cidade não significa manter a qualquer custo exemplares que representem perigo.
A política ambiental também precisa contemplar o controle da erva-de-passarinho, com técnicas adequadas para reduzir a infestação e evitar que ela volte a comprometer a vegetação. Simplesmente cortar galhos sem tratar o problema pode não resolver a situação a longo prazo.
A revitalização oferece a oportunidade de planejar uma arborização mais segura e diversificada. O plantio de espécies nativas adequadas ao ambiente urbano, selecionadas de acordo com o espaço disponível, o porte adulto, as raízes e as características da copa, pode contribuir para reduzir conflitos com calçadas, redes e edificações. A escolha das espécies, entretanto, deve ser acompanhada de manutenção contínua e monitoramento fitossanitário.
A prefeitura também precisa estabelecer um cronograma de inspeções para outras praças e ruas de Curitiba, com critérios transparentes para poda, tratamento e eventual remoção. A divulgação dos diagnósticos e das medidas adotadas ajudaria a população a compreender por que determinadas árvores precisam ser preservadas, tratadas ou substituídas.
O fechamento da Praça Osório representa uma oportunidade para corrigir problemas acumulados ao longo dos anos e rever a forma como a cidade cuida de suas árvores mais antigas. A decisão de antecipar as obras deve ser acompanhada de planejamento, fiscalização e resultados concretos, para que a reabertura ocorra com condições adequadas de segurança.
O isolamento não deve alterar o funcionamento dos pontos de ônibus no entorno. A Feira de Primavera já foi encerrada, e a Feira de Natal deverá ser transferida para outro endereço, ainda em definição com os feirantes.
A discussão ambiental não pode ser reduzida à oposição entre cortar e preservar árvores. O objetivo deve ser manter uma cidade arborizada, mas com espécies adequadas, acompanhamento técnico e intervenções quando necessárias. A população tem direito a praças agradáveis, sombra e contato com a natureza, sem precisar temer que um galho caia sobre quem está sentado em um banco.
Depois de acidentes sucessivos na Praça Osório, a administração municipal tem a oportunidade de transformar uma medida emergencial em uma política permanente de prevenção. A prioridade deve ser evitar novas vítimas, recuperar o espaço público e garantir que a arborização de Curitiba continue sendo um patrimônio ambiental, e não uma fonte de risco para os moradores.
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Fonte:Blog do Tupan








