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Quebra de banco digital provoca crise política e afeta serviços no Paraguai

ad_1] O banco mantinha recursos do Instituto de Seguridade Social, responsável pela previdência do país – Foto: Reprodução/Ueno Bank A crise financeira provocada ...[ Leia completo ]

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O banco mantinha recursos do Instituto de Seguridade Social, responsável pela previdência do país –

A crise financeira provocada pela quebra do Banco Ueno, maior banco digital do Paraguai, provocou uma série de impactos no país, atingindo milhares de clientes que ficaram sem acesso ao dinheiro depositado na instituição. O escândalo também resultou na queda do presidente Santiago Peña e ameaça comprometer serviços públicos nos próximos dias.

De acordo com dados do governo paraguaio, o banco mantinha recursos do Instituto de Seguridade Social, responsável pela previdência do país, da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), estatal de energia, e do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai.

Os bombeiros já enfrentam dificuldades para manter as atividades. Desde sexta-feira (6), a corporação opera com capacidade reduzida devido ao congelamento de recursos que estavam depositados na instituição financeira.

Quebra do Banco Ueno

O Banco Central do Paraguai determinou a dissolução do Banco Ueno na terça-feira (3), após identificar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do patamar exigido.

Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o equivalente a cerca de 40% da população paraguaia, o banco era o maior do segmento digital no país. Com a medida, milhares de correntistas ficaram sem acesso aos valores depositados.

O Ministério Público acusa a instituição de manipular informações sobre sua situação patrimonial para dar credibilidade às operações. Também investiga a concessão de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador do banco.

O escândalo provocou a queda de Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador até o ano passado. O Congresso aprovou o processo de impeachment em dois dias: na quinta-feira, a Câmara autorizou sua abertura por unanimidade e, na sexta-feira (6), o Senado votou pela destituição do presidente.

Peña também é investigado criminalmente por possível envolvimento no caso. Na noite de sexta-feira (6), ele foi preso pela Polícia Nacional em sua residência, na capital Assunção.

Bombeiros enfrentam redução nas operações

O Corpo de Bombeiros Voluntários foi uma das primeiras instituições a sentir os efeitos da crise. Segundo o jornal paraguaio ABC, o quartel de Itá contava com apenas um veículo em funcionamento na sexta-feira (6).

A diretoria nacional da corporação informou que cerca de 2 bilhões de guaranis, aproximadamente US$ 313 mil, arrecadados na última campanha da organização estão congelados no Banco Ueno. Recursos próprios de diferentes quartéis também foram afetados.

Em comunicado, a instituição alertou que a situação compromete a capacidade operacional das equipes e a continuidade dos serviços de emergência. Os bombeiros também pediram que os valores sejam protegidos e não sejam incluídos em eventuais mecanismos de reestruturação ou adiamento que impeçam o acesso aos recursos.

Previdência tem US$ 355 milhões no banco

O Instituto de Seguridade Social do Paraguai mantém aproximadamente US$ 355 milhões depositados no Banco Ueno. O montante representa cerca de 9% de todo o fundo previdenciário do país.

Apesar do impacto, o órgão afirma que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão garantidos. A conselheira Mirtha Arias assegurou que os benefícios serão pagos integralmente em 17 de novembro.

A previdência busca recuperar os valores congelados junto ao Banco Central e já apresentou documentação para tentar garantir a preservação dos recursos.

Outro ponto de preocupação envolve cerca de 32 mil aposentados que recebiam os benefícios por meio do Banco Ueno. O instituto informou que trabalha para transferir essas contas para outras instituições financeiras.

Estatal de energia também foi afetada

A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), responsável pelo fornecimento de energia no Paraguai, também mantinha recursos no Banco Ueno.

O presidente da estatal, Miguel Baéz, informou à imprensa paraguaia que os valores incluem depósitos relacionados a empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e de Taiwan.

Assim como os demais órgãos, a ANDE solicitou ao Banco Central um tratamento especial para preservar os recursos. Baéz também alertou que a crise pode afetar os pagamentos de contas de energia, já que parte dos consumidores utiliza os aplicativos do Banco Ueno para realizar as transações.

Crise provoca mudanças no governo

Além da destituição de Santiago Peña, o escândalo financeiro provocou uma série de renúncias no governo paraguaio.

O vice-presidente Pedro Alliana, integrante do mesmo Partido Colorado, deve assumir o comando do Executivo.

Também deixaram os cargos na sexta-feira (6) Javier Giménez, chefe do Gabinete da Presidência, e Roberto Moreno, assessor jurídico presidencial.

Antes disso, o diretor do Banco Central, Carlos Cavallo, havia renunciado na quarta-feira, enquanto o ministro do Interior, Enrique Riera, deixou o cargo na quinta-feira.

RESUMO:

A quebra do Banco Ueno, maior banco digital do Paraguai, provocou uma crise financeira que atingiu milhares de clientes e instituições públicas. A situação também desencadeou uma crise política, que resultou na destituição do presidente Santiago Peña, investigado por possível envolvimento no escândalo.

Entre os órgãos afetados estão o Corpo de Bombeiros Voluntários, que precisou reduzir a capacidade operacional após ter recursos congelados; o Instituto de Seguridade Social, que mantém cerca de US$ 355 milhões no banco; e a estatal de energia ANDE, que também tenta recuperar valores depositados na instituição.

Apesar das dificuldades, a previdência paraguaia afirma que os pagamentos a aposentados estão garantidos. A crise provocou ainda renúncias de integrantes do governo e deve levar o vice-presidente Pedro Alliana a assumir o Executivo.



Fonte:A Rede PG

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