Dizem as más línguas pelas redondezas que, no município de Cantagalo, vivia um rapazola na flor dos seus vinte e poucos anos com a fama de não deixar passar nada. O dito-cujo gabava-se aos quatro cantos da praça de já ter conquistado 90% das moças solteiras do município — e, para completar a proeza, dizia que as poucas que não pegou foi pura e simplesmente porque não quis.
A fofoca e a fama do “Garanhão do Cantagalo” rodaram a região e chegaram tinindo aos ouvidos da vizinha cidade de Laranjeiras do Sul. Coincidiu que, em um daqueles dias frios e de vento doído, uma moçoila solteira de Laranjeiras — meio carente de atenção e precisando esquentar o frio —, foi apresentada ao tal conquistador por intermédio de um primo.
Papo vai, papo vem, deram boas risadas e viraram amigos. Depois de uns dois encontros e umas conversas para lá de acaloradas ao pé do ouvido, a moça não resistiu ao charme e à reputação do garanhão. Embalados pela promessa de uma noite inesquecível, ajeitaram uma boa dose de whisky com energético e se mandaram para um local bem reservado.
Porém, passados poucos minutos no ambiente à meia-luz, o encanto virou tragédia cômica. A moçoila, que esperava receber uma entrega à altura da propaganda — algo grande e duro, no porte de uma mandioca que passou dois invernos debaixo da terra —, deparou-se com a triste realidade. O pacote era, na verdade, uma banana nanica, murcha como se tivesse passado três dias largada no sol de meio-dia.
E para piorar o cenário, o tal carrinho do rapaz só rodava com “gasolina azul” e bastante aditivo. Só que ninguém sabe se foi a mistura com o whisky, a ameaça de temporal ou a pura emoção do momento: o fato é que o tal galo de Cantagalo nem cantou e nem piou! Nas palavras da própria moça, que não guardou segredo e soltou o verbo nas redes sociais: *”De galo aquele pia não tem nada, tá mais é para pintinho dentro da gema!”*
Nem mesmo com o reservatório cheio de gasolina azul o motor do piá deu sinal de vida — não pegou nem no tranco, nem na banguela, nem na oração. Depois de duas longas horas de tentativas frustradas, empurrando um carro sem bateria, a moça juntou suas coisas e voltou para casa furiosa, decepcionada e morrendo de frio.
Quanto ao Garanhão de Cantagalo? Desapareceu do mapa! Ninguém mais viu na praça e nem no bar. Resta a dúvida na cidade: uns dizem que ele foi tentar adubar a bananinha no mato, outros juram que ele ainda está tentando levar o carrinho para a oficina dar uma geral no motor!








