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A Sarna Oficial da Vila

  Na Vila, há personagens que entram para a história por grandes feitos. Outros, por grandes discursos. E há aqueles que entram simplesmente ...[ Leia completo ]

 

Na Vila, há personagens que entram para a história por grandes feitos. Outros, por grandes discursos. E há aqueles que entram simplesmente porque vivem procurando uma sarna para se coçar.

 

A fiscalizadora da vez parece ter transformado a busca por problemas em esporte olímpico. O alvo do momento? O carro do Conselho.

 

Não importa se o veículo está sendo utilizado em atividades de fiscalização ou em serviços de interesse público; a lupa já está posicionada, o bloco de anotações está aberto, a câmera do celular está acionada e a investigação segue firme.

 

Fiscalizar é importante. Aliás, é fundamental.

 

O problema surge quando a memória coletiva da Vila resolve colaborar com alguns detalhes do passado. Afinal, boa parte da população ainda se recorda dos tempos em que certas chaves de um veículo público, cedido a uma entidade da qual a fiscalizadora fazia parte, pareciam ter adquirido poderes especiais.

 

O automóvel aparecia no supermercado, na academia, em jantares, bailes, festas e em uma impressionante variedade de compromissos que dificilmente constariam em qualquer roteiro oficial de serviço.

 

Aí surge aquela velha pergunta que o povo adora fazer na roda de conversa, na fila da padaria e na sombra da praça: quem pretende cobrar determinado comportamento deveria, antes, servir de exemplo nesse mesmo assunto?

 

Não se trata de defender erros de ninguém. Se existe algo irregular, que seja apurado. Mas a coerência continua sendo um item muito valorizado pela população.

 

E a memória do povo, principalmente em cidade pequena, costuma funcionar melhor do que qualquer arquivo digital.

 

Enquanto isso, a Vila acompanha os acontecimentos com interesse crescente. Afinal, quando alguém decide abrir o álbum das cobranças públicas, corre sempre o risco de que algumas fotografias antigas também apareçam sobre a mesa.

 

E, pelo que se comenta pelos cantos, este pode ser apenas o primeiro capítulo da temporada. Outros assuntos prometem vir à tona e, segundo os mais atentos, têm potencial para arrepiar até os cabelos de quem já não tem muitos cabelos para arrepiar.

 

Aguardemos os próximos episódios.

 

Na Vila, a novela da coerência está longe de terminar.

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