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Abertura de empresas no Centro de Curitiba cresce o dobro da média em 2026

O Centro de Curitiba registrou crescimento de 72% na abertura de empresas entre janeiro e julho de 2026, mais que o dobro da ...[ Leia completo ]


O Centro de Curitiba registrou crescimento de 72% na abertura de empresas entre janeiro e julho de 2026, mais que o dobro da média de expansão observada em toda a capital, que ficou em 34% no mesmo período. Os dados são de um levantamento da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento.

Nos primeiros sete meses do ano, 5.181 empresas foram abertas na região central, contra 3.009 no mesmo intervalo de 2025. Com o avanço, o Centro ultrapassou a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que contabilizou 3.364 novos negócios, e passou a liderar entre os bairros da cidade na abertura de empresas.

O movimento ocorre durante a execução do programa Curitiba de Volta ao Centro, que reúne ações de revitalização e requalificação da região. A circulação diária de moradores, trabalhadores e estudantes também é apontada como um dos fatores que favorecem a instalação de novos estabelecimentos.

Atualmente, o Centro concentra 49,9 mil empresas ativas, o equivalente a 9% dos 550.898 negócios registrados em Curitiba.

Entre os novos empreendimentos está a cafeteria Brau Brau, aberta em maio na Rua Riachuelo pelas moradoras da região Amanda Yoshie e Lucianne Rosa. Antes de investir no estabelecimento, Amanda já produzia brownies comercializados para terceiros, fez cursos na área e trabalhou durante oito anos em cafeterias da capital.

“A gente já fazia o nosso brownie Brau Brau, que era bem conhecido e vendido para terceiros. Eu fiz vários cursos, incluindo de barista, e trabalhei durante oito anos em outros cafés da cidade. Daí veio a ideia de ter o negócio próprio, com a nossa cara, com tudo preparado aqui mesmo no local”, relata.

Segundo a empreendedora, o estabelecimento recebe pessoas que vivem, trabalham ou estudam no Centro, além de consumidores interessados em cafés especiais e em novos espaços gastronômicos.

Amanda também avalia que a percepção sobre a região mudou entre diferentes gerações. “No passado tinha aquela percepção, principalmente entre as pessoas de mais idade, que o Centro era inseguro e decadente. A nossa geração não viveu isso. A região é boa para fazer as coisas a pé, tem um comércio ativo e eventos culturais”, afirma.

Para o prefeito Eduardo Pimentel (PSD), o aumento na abertura de negócios indica uma mudança no perfil de ocupação da região central.

“O que queremos estimular é justamente a reocupação do Centro, com mais comércio, serviços, moradia, cultura, mobilidade, lazer e segurança. De um lado temos o Curitiba de Volta ao Centro, que é um programa que prevê incentivos fiscais, construtivos e econômicos, além de intervenções urbanas para melhorar a mobilidade, a infraestrutura e a segurança. Do outro, temos a estratégia de desburocratizar cada vez mais a abertura de empresas. Curitiba é atualmente a capital mais rápida para abertura de empresas no País”, afirma.

A redução da burocracia para novos empreendimentos também é apontada pela Prefeitura como um fator de estímulo ao empreendedorismo. De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, o programa Facilita Mais ampliou de 606 para 1.200 o número de categorias empresariais dispensadas de alvarás e licenças para funcionamento.

Segundo Puppi, mais de 60% das empresas abertas em Curitiba desde fevereiro, quando o programa entrou em operação, enquadraram-se nas modalidades beneficiadas pela medida.

Aos poucos os espaços desocupados no coração do Centro começam a ganhar vida novamente. Fechado por dois anos, o local que abrigou uma grande agência do Banco Bradesco, nas esquinas da Rua XV de Novembro com Monsenhor Celso, recebeu em abril deste ano uma megaloja, de 1,2 mil metros quadrados, da rede de artigos esportivos, calçados e acessórios Serallê, uma das maiores do Paraná, fundada há 20 anos em Cianorte, no noroeste do Estado.

O Centro foi o bairro escolhido pela rede, que tem 21 lojas no Interior, para abrir a primeira loja em Curitiba, que emprega 30 pessoas.

“Durante muitos anos estudamos o mercado de Curitiba. Queríamos abrir nossa primeira loja na capital em uma região com grande fluxo de pessoas e o calçadão da Rua XV de Novembro é muito bom neste sentido, além de ser um ponto histórico da cidade, o que chama a atenção. Como temos produtos com várias faixas de preços, dos mais acessíveis ao luxo, conseguimos atingir vários públicos”, diz Anderson Kist, gerente comercial da loja.

Para o empresário Marlon Godoy, abrir uma pizzaria no Centro é um recomeço. Depois de trabalhar 12 anos na área de tecnologia, o que lhe rendeu um burnout e nove dias na UTI por causa de uma infecção bacteriana nos últimos dois anos, ele resolveu mudar de vida. “Foi quando percebi que a vida que eu levava não dava mais. Minha esposa, Thayanne, me incentivou a buscar um negócio próprio”, lembra.

Com o talento reconhecido para a gastronomia, Marlon fez cursos, se especializou e abriu, há pouco mais de uma semana, a Manja Pizza, na Rua Inácio Lustosa, perto do shopping Mueller.

“Queríamos um espaço no Centro, porque o conceito da nossa loja é diferente dos estabelecimentos de bairros, com mesas para quatro e seis cadeiras. Aqui a ideia é comer no balcão, em um espaço mais clean e moderno, com a cozinha aberta onde o cliente vê o preparo da pizza. Conseguimos assar nossa pizza, de fermentação natural de 72 horas, em 90 segundos, o que garante também um atendimento rápido”, diz ele.

Segundo ele, os moradores da região já começam a experimentar o cardápio, que tem 50% das opções também na versão vegana. “O Centro também foi escolhido por isso. Temos vários amigos veganos, minha esposa também é vegetariana e há na região vários empreendimentos voltados para esse público, o que é interessante porque já estamos em uma região onde os clientes estão”, completou.

O levantamento da Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento mostra que os novos negócios no Centro abrangem diversas atividades, com destaque para empresas de desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; serviços administrativos e de escritório; promoção de vendas; comércio de varejista de artigos do vestuário e acessórios; lanchonetes, casas de chá, sucos e similares; padarias e confeitarias e restaurantes.

Conheça o programa
Com o Curitiba de Volta ao Centro, a Prefeitura estruturou um pacote de incentivos fiscais, econômicos e construtivos, com foco no retrofit de prédios, o restauro de imóveis históricos, a habitação popular e o desenvolvimento econômico na região, com comércio, serviços, lazer e cultura. “É um programa que envolve várias secretarias mas com um objetivo comum que é o de trazer a população para o coração da cidade. Há uma relação afetiva do curitibano com o seu Centro e o projeto quer trazer uma nova onda de desenvolvimento para a região”, diz Tatiana Turra, coordenadora do programa.

O programa prevê R$ 133 milhões em incentivos fiscais, com redução, remissão e isenção de até 100% de impostos. Além disso, foi lançado um edital de subvenção de R$ 30 milhões pelo qual o município vai reembolsar até 50% do valor de obras de revitalização. O edital recebeu 47 propostas, que somam R$ 268 milhões em investimentos previstos.

Saiba mais sobre o programa AQUI

A Prefeitura promove plantões de atendimento para esclarecer dúvidas sobre o programa. Os plantões são realizados sempre na última quinta-feira do mês, entre agosto e novembro: 27/8; 24/9; 29/10 e 26/11. O atendimento é das 9h às 12h na Escola de Patrimônio (Rua Kellers, 63 – São Francisco). Os interessados devem realizar o agendamento pelo site https://agendaonline.curitiba.pr.gov.br.

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Fonte:Blog do Tupan

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