Uma investigação explosiva do Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) revela que o ex-senador cassado Luiz Estevão, hoje com 76 anos, é o mentor de um gigantesco esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e estelionato. A operação — batizada de Al Capone, em referência ao mafioso ítalo-americano — expõe o uso de empresas de fachada e clubes de futebol de Brasília para movimentar bilhões, encobrir dívidas e driblar o fisco. As informações são do Estadão
Segundo o MP, o grupo comandado por Estevão movimentou mais de R$ 2,5 bilhões entre 2011 e 2021. Somente entre 2013 e 2019, R$ 1,5 bilhão circulou entre contas do grupo. A engenharia criminosa, conforme a promotoria, causou um rombo estimado em R$ 336 milhões aos cofres públicos, especialmente via sonegação de IPTU e TLP.
Al Capone no Cerrado: Investigação liga clubes de futebol ao esquema de desvio bilionário
Apesar de não ser o foco principal da investigação, o futebol entra no centro do escândalo. Personagens ligados a cinco times brasilienses — Brasiliense, Samambaia, Ceilandense, Aruc e Cruzeiro-DF — são apontados como testas de ferro de Luiz Estevão. Entre eles, Maria Vânia Pinheiro de Brito e José Eduardo Bariotto Ramos, que aparecem formalmente como donos ou dirigentes de clubes, mas seriam, de fato, operadores do esquema.
Segundo os promotores, essas figuras usavam clubes como fachada para justificar transações financeiras e ocultar a origem dos recursos. A prática violaria normas de fair play financeiro da CBF, enquanto Estevão ainda lucra com a realização de grandes jogos no Mané Garrincha, como a Supercopa Rei 2025, vencida pelo Corinthians.
Mesmo com o arquivamento do processo criminal pelo STJ, que entendeu que as condutas não configuravam crime, o caso segue vivo na Justiça Cível. O MPDF cobra R$ 128,8 milhões em multas e indenizações, pede a dissolução das empresas envolvidas e a proibição de atuarem com verbas públicas.
O MPDF detalha três frentes principais do suposto esquema criminoso:
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Fraude Imobiliária: O grupo usou empresas desativadas para recomprar imóveis da Terracap após inadimplência deliberada, como no caso do Península Shopping, comprado por uma firma com capital social de R$ 20 mil.
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Desvio de Tributos: O grupo cobrava de inquilinos valores de IPTU e TLP, mas desviava os pagamentos para empresas de fachada. A dívida acumulada passa dos R$ 330 milhões.
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Blindagem Financeira: A estratégia incluía deixar inativas as contas das empresas principais e do próprio Luiz Estevão. Entre 2014 e 2019, suas contas pessoais movimentaram apenas R$ 262 em crédito. Enquanto isso, o grosso do dinheiro passava por CNPJs de confiança, registrados em nome de operadores como Vânia e Eduardo.
Defesa minimiza denúncias e aposta no encerramento da ação civil
O advogado Marcelo Bessa, representante de Luiz Estevão, classificou as acusações como “despropositadas” e destacou que a ação penal já foi arquivada pelo STJ. Ele afirma que os empresários não têm sócios ocultos e que a ação civil também deve ser encerrada por ausência de fundamentos.
Apesar do discurso da defesa, os documentos do MPDF — que somam mais de 8 mil páginas — sustentam que o grupo atuou de forma coordenada por mais de uma década, prejudicando os cofres públicos e construindo um império financeiro à sombra da lei.
A Operação Al Capone pode ter encerrado sua frente criminal, mas a face cível do escândalo ainda promete desdobramentos que podem impactar o futebol brasiliense, o mercado imobiliário do DF e a reputação de um dos empresários mais controversos da política brasileira.
Fonte:Hora Brasília Notícias





