Houve um tempo em que bastava alguém acender a churrasqueira para a notícia correr de boca em boca. Não existiam convites virtuais, listas de presença ou grupos de mensagens. O cheiro da carne assando era o único aviso de que a festa já tinha começado.
A música tocava alto, as gargalhadas ecoavam pela vizinhança e ninguém se preocupava com cargo, posição ou aparência. Todo mundo era igual em volta da churrasqueira.
Numa dessas tardes, a roda cresceu, o violão ganhou companhia e, quando começou a tocar “Na Boquinha da Garrafa”, o clima ficou ainda mais animado. Um a um, os mais animados foram para a pista improvisada. Alguns diziam que dançavam por diversão; outros, porque já tinham perdido a vergonha fazia tempo.
Entre os presentes estava uma figura bastante conhecida na cidade. Na época, ocupava um cargo de direção em uma entidade local e era presença garantida nas festas da vila. Histórias e comentários circulavam entre os moradores sobre aquele período, como acontece em toda cidade pequena, mas o que ninguém discute é que animação nunca lhe faltava. Era conversa ao pé do ouvido, risadas, passos de dança e muita descontração.
O mais curioso é ver como o tempo transforma as pessoas. Quem ontem passava horas nos churrascos e fazia a alegria da turma, hoje ocupa cargos de responsabilidade e adota uma postura séria, como se aquele passado festivo nunca tivesse existido.
Mas a memória é teimosa. Ela insiste em lembrar dos domingos sem pressa, da amizade sincera, da mesa farta e daqueles personagens que juravam que ninguém se lembraria das antigas danças, das brincadeiras e das cenas que arrancavam risadas de toda a vizinhança.
Bons tempos aqueles. Porque o tempo até muda as pessoas, mas as lembranças continuam vivas na memória de quem esteve lá.







