“Sentar e refletir. Levantar e agir”. Essa é a frase fixada nos bancos vermelhos instalados nesta quarta-feira (28 de outubro de 2026) no Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). A intervenção realizada pelo Núcleo Maria da Penha (Numape) e pelo Laboratório Mulheres, Discursividades e Resistência (Labmur) têm como objetivo conscientizar sobre o combate às violências de gênero.
“A ideia é que a gente possa materializar essa temática dentro da universidade para que, ao passar, as pessoas lembrem que a violência contra as mulheres é um fenômeno cotidiano e que ocorre inclusive no ambiente universitário”, explica a coordenadora do Numape de Irati, professora Ana Paula Müller de Andrade.
O banco vermelho foi institucionalizado como política pública no Brasil pela Lei nº 14.942/2024, que prevê ações em locais públicos que conscientizem sobre o assunto.
No Câmpus de Irati, são dois bancos – um fica em frente ao restaurante e o outro, próximo à Associação dos Servidores da Unicentro. Nas placas fixadas neles constam informações como os tipos de violência e como denunciá-las.
“A ação compõe várias outras que temos feito. Parte da nossa responsabilidade enquanto universidade é levar informações, produzir conhecimento e extensão sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio. O banco compõe essa luta”, contextualiza Ana Paula.
A instalação do banco aconteceu logo após a oficina “Machismo, assédio e comportamento inadequado: como identificar os limites?”, ministrada pelo Numape e pelo Labmur na IX Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe) da Unicentro.
Durante a atividade foi apresentado o resultado da pesquisa “Violência de gênero na universidade e suas manifestações cotidianas”, que coletou depoimentos de estudantes, docentes e agentes universitárias sobre situações de assédio ou desrespeito às mulheres no ambiente universitário.
“Algumas respostas já eram esperadas, mas outras foram surpreendentes – muitas delas estavam relacionadas a um desconhecimento em relação a canais de denúncia, o que nos mobilizou a fazer a oficina”, comenta a professora Kátia Alexsandra dos Santos, coordenadora da pesquisa e do Labmur.
“Estamos em contato com colegas das sete instituições de ensino superior do Paraná para fazer um levantamento das manifestações de violência de gênero em todas essas universidades e as estruturas que oferecem para atender essas situações”, adianta a docente.
A intervenção no Câmpus de Irati integra um movimento amplo da Unicentro no enfrentamento à violência de gênero. Em março, a campanha do “Banco Vermelho” foi lançada nos câmpus Santa Cruz e Cedeteg, em Guarapuava.
A ação é uma resposta aos altos índices da violência de gênero no Brasil. Em 2025, por exemplo, o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio e 286.270 agressões decorrentes de violência doméstica, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A instalação dos bancos vermelhos também dialoga com a Lei Maria da Penha, que estabelece mecanismos de prevenção às violências contra as mulheres.
(Por Amanda Pieta)
Fonte:G+ Guarapuava








