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Crônicas da Vila: A Fiscalizadora e o Desocupado

  Na Vila, existe uma regra não escrita: quanto mais a pessoa aponta o dedo, maior a chance de o povo lembrar onde ...[ Leia completo ]

 

Na Vila, existe uma regra não escrita: quanto mais a pessoa aponta o dedo, maior a chance de o povo lembrar onde ela já tropeçou. E nisso, a famosa fiscalizadora amiga do Tobias virou praticamente uma celebridade do folclore municipal.Ela tem opinião sobre tudo. Mas tudo mesmo. Se a prefeitura faz festa, ela reclama do barulho. Se faz asfalto, reclama da poeira da obra. Se troca lâmpada, diz que ficou claro demais. Se não troca, reclama que está escuro. Dizem até que ela acorda cedo, toma café e já pergunta para si mesma: — “Vamos ver de quem vou falar mal hoje?”

O mais impressionante é a disposição. Enquanto muita gente trabalha oito horas por dia, ela consegue fiscalizar a vida alheia em turno integral, com direito a hora extra em grupo de WhatsApp.

Mas a Vila inteira acha curioso esse rigor moral vindo justamente de alguém que também coleciona uns capítulos interessantes no currículo. O povo não esquece, por exemplo, da época em que carro público parecia ter virado veículo de passeio particular. Tinha roteiro completo: academia, supermercado, voltinha, evento, festa… só faltava colocar adesivo escrito “turismo administrativo”.

E claro… impossível esquecer o famoso episódio do salão da associação.

Até hoje os moradores contam aquela noite quase como patrimônio histórico oral da comunidade. Evento animado, carne assando, música tocando e os “golinhos sociais” entrando em escala industrial. Lá pelas tantas, a fiscalizadora já estava mais perdida que sinal de internet em dia de chuva.

Testemunhas afirmam que após os goles e muita coisa feia,ela começou a procurar o banheiro igual participante de gincana procurando pista escondida. Foi pra um lado, voltou pro outro, encarou parede, abriu porta errada… até que o organismo decidiu que não dava mais para esperar a burocracia terminar.
Resultado: aconteceu ali mesmo um verdadeiro “vazamento administrativo” no meio do trajeto entre o salão e a saída.

Dizem que o silêncio foi tão grande na hora que dava pra ouvir até o gelo derretendo no copo.
Mas como a Vila não perdoa e possui memória melhor que arquivo de prefeitura, o episódio entrou imediatamente para os anais da fofoca municipal. Até hoje, quando ela começa algum discurso muito moralista, sempre aparece um engraçadinho cochichando: — “Tomara que dessa vez ela encontre a porta certa…”

Enquanto isso, Tobias segue firme em sua principal especialidade: comentar a vida dos outros com dedicação acadêmica. Segundo os moradores, ele já possui graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado em perseguição improdutiva.

E assim a dupla continua: um fiscalizando tudo, o outro opinando sobre todos, enquanto a população assiste de camarote, como quem acompanha novela repetida mas ainda acha graça.

Porque na Vila é assim: quem tem teto de vidro deveria evitar andar com caixa de pedra na mão. Principalmente quando o próprio passado já virou piada pública antes mesmo do presente terminar.

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31 de dezembro de 2025

5 meses atrás

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