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Curitiba declara guerra aos mosquitos da dengue

Curitiba iniciou uma nova etapa no combate à dengue com a liberação dos primeiros mosquitos Aedes Aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tecnologia ...[ Leia completo ]


Curitiba iniciou uma nova etapa no combate à dengue com a liberação dos primeiros mosquitos Aedes Aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tecnologia que reduz a capacidade de transmissão da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa amplia as ações adotadas pela Prefeitura após a expressiva queda nos casos da doença registrada nos últimos dois anos e reforça a preparação da capital para o próximo período de maior circulação do vírus.

O lançamento da estratégia ocorreu no bairro Sítio Cercado e foi conduzido pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Segundo a administração municipal, a incorporação do Método Wolbachia complementa as medidas de controle do mosquito já realizadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), como mutirões de limpeza, monitoramento de focos, bloqueios de transmissão, uso de drones, armadilhas e campanhas de conscientização.

De acordo com o prefeito, Curitiba reduziu significativamente os casos de dengue por meio de planejamento, ações integradas e participação da população. Agora, a cidade aposta em uma tecnologia considerada inovadora para ampliar a proteção dos moradores contra as arboviroses. O Método Wolbachia não substitui a eliminação de criadouros, mas reduz a capacidade do mosquito de transmitir os vírus.

A implantação da tecnologia é resultado de uma cooperação técnica entre a Prefeitura de Curitiba e a Wolbito do Brasil, empresa vinculada ao IBMP/Fiocruz Paraná. Durante 26 semanas, serão liberados os chamados “wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia. Ao se reproduzirem com os mosquitos presentes no ambiente, eles transmitem naturalmente a bactéria aos descendentes, formando gradualmente uma população com menor potencial de disseminação das doenças.

A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, afirmou que a adoção do método fortalece o conjunto de ações preventivas desenvolvidas desde 2025. Segundo ela, Curitiba registrou redução de 92% nos casos de dengue em 2025 e, neste ano, a queda já chega a 94% em relação ao período anterior. A secretária destacou ainda que a previsão de influência do fenômeno El Niño, com aumento das chuvas nos próximos meses, pode favorecer a proliferação do mosquito, tornando necessária a adoção de novas estratégias preventivas.

A tecnologia já foi implantada em diversos municípios brasileiros e em outros 14 países. Em Niterói (RJ), um dos principais exemplos da aplicação do método, os estudos apontaram redução de até 89% nos casos de dengue, consolidando a Wolbachia como ferramenta complementar às ações convencionais de combate ao Aedes aegypti.

A implantação em Curitiba também despertou interesse internacional. Representantes de órgãos públicos, universidades e instituições de cooperação da Arábia Saudita, Sri Lanka, Bangladesh, Laos, Peru, Senegal, Omã, Filipinas e Tailândia acompanharam a primeira soltura dos mosquitos no Sítio Cercado. A visita foi acompanhada por Scott O’Neill, CEO do World Mosquito Program (WMP), organização responsável pelo desenvolvimento da metodologia utilizada atualmente pela Wolbito do Brasil.

Segundo o diretor da Wolbito do Brasil, Sandro Luz, a implantação ocorre por meio de duas estratégias. Uma utiliza dispositivos contendo ovos dos mosquitos, enquanto a outra faz a soltura de insetos adultos transportados em recipientes específicos. O objetivo é comparar a eficiência dos dois métodos em condições reais e produzir informações que possam orientar futuras ampliações do programa.

Antes do início da liberação, equipes da Secretaria Municipal da Saúde promoveram um trabalho de mobilização com moradores, comerciantes, escolas e lideranças comunitárias do Sítio Cercado. Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias realizaram visitas domiciliares para explicar o funcionamento da tecnologia e esclarecer dúvidas da população.

Desde 2025, Curitiba intensificou as medidas de enfrentamento ao Aedes aegypti com a implantação do Plano Municipal de Enfrentamento da Dengue e outras Arboviroses. Entre as ações estão mutirões de limpeza, instalação de cerca de 2 mil armadilhas para monitoramento do mosquito, estações disseminadoras de larvicida, inspeções com drones em áreas de difícil acesso, utilização de robôs para agilizar notificações, bloqueios de transmissão, aplicação de inseticidas em áreas críticas, fiscalização permanente por agentes de endemias e campanhas educativas.

A vacinação também foi ampliada. Inicialmente destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, passou a contemplar, em 2026, agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde e profissionais das unidades de saúde localizadas nas regiões consideradas de maior risco.

Os resultados das ações já aparecem nos indicadores epidemiológicos. Entre 1º de janeiro e 20 de julho de 2026, Curitiba contabilizou 172 casos de dengue. No mesmo período de 2025 foram registrados 1.602 casos, enquanto em 2024 o número chegou a 17.714 confirmações. Além da redução dos registros, a capital não contabilizou mortes provocadas pela doença em 2025 e também segue sem óbitos em 2026 até o momento.

Presenças
O evento também teve as presenças do chefe de gabinete do prefeito, Ricardo Andreazza; da superintendente executiva da SMS, Flávia Adachi; da superintendente de Gestão da SMS, Jane Sescatto; da diretora de Atenção Primária em Saúde, Juliana Marcon Hencke; da diretora de Atenção à Saúde, Viviane Gubert; da diretora de Saúde Ambiental, Francielle Narloch; do chefe de gabinete da SMS, Duarte de Paula Franco; do supervisor do Distrito Sanitário Bairro Novo, John Fitzgerald Kenedy Novak; do coordenador do Programa Municipal de Controle do Aedes, Juliano Ribeiro; do special advisor do WMP (World Mosquito Program) no Brasil, Luciano Moreira; da administradora regional do Bairro Novo; Veridiana Maranho; do presidente do Conselho Municipal de Saúde, João Santana; e vereadores.Leia outras matérias do Jornal Paraná e do parceiro Blog do Tupan

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