Análise da evolução da axiologia ocidental, destacando a contribuição de Epicteto e as críticas ao estoicismo.
O texto continua a análise axiológica das escolas filosóficas ocidentais, avançando da ética aristotélica para o helenístico, onde o estoicismo desloca o valor da realização externa para a interioridade racional, criando uma configuração centrada na autonomia moral diante da contingência histórica. Epicteto, nascido escravo e fisicamente manco, exemplifica essa tese ao demonstrar que a verdadeira liberdade e o valor mais alto são independentes de condições sociais ou corporais, e suas lições, compiladas por Arriano nos Discursos e no Manual, expressam a axiologia do interior, onde o bem equivale à soberania sobre si mesmo.
Epicteto fundamenta sua ética em uma distinção taxativa entre o que depende de nós e o que não depende, como exposto no Manual: “Das coisas existentes, umas são encargos nossos; outras não.” Essa distinção cria uma soberania axiológica que libera o valor da dependência externa, classificando tudo que não é ação própria como indiferente, com nuances de preferível ou não-preferível, e mantendo a virtude como liberdade e autarquia, onde a excelência moral reside na qualidade do desempenho do papel atribuído, não no papel em si.
A psicologia moral estoica sustenta que o sofrimento nasce de juízos errôneos, e a prática filosófica torna‑se uma disciplina de assentimento que suspende reações imediatas; a cosmologia objetiva do estoicismo, baseada no Logos, confere ao universo uma razão universal que une todos os seres humanos em uma comunidade global, e o valor da ação mede‑se pela intenção e pela reserva mental que aceita o resultado determinado pelo destino.



