RIO DE JANEIRO – O Carnaval de 2026 amanhece sob o signo da revolta e da polarização extrema. Enquanto as escolas tradicionais do Rio de Janeiro lutam para equilibrar as contas, a Acadêmicos de Niterói — que escolheu como enredo a glorificação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — desfilou com os bolsos cheios: a agremiação garantiu um montante vergonhoso de R$ 10,48 milhões em dinheiro dos impostos, superando em quase 60% o orçamento estatal de qualquer outra concorrente.
O privilégio financeiro, revelado por levantamentos em diários oficiais e portais de transparência, acendeu o pavio de uma bomba política que chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao STF.
O Mapa da “Mamataria” Carnavalesca
A discrepância nos valores é o que mais choca a opinião pública. Enquanto gigantes como Mangueira, Beija-Flor e Portela operam com uma média de R$ 6,5 milhões de fomento público, a Acadêmicos de Niterói montou uma “operação casada” de repasses:
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R$ 4 milhões exclusivos da Prefeitura de Niterói (reduto aliado do governo federal).
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R$ 1 milhão do Governo Federal via Embratur (sob o pretexto de “turismo”).
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R$ 2,15 milhões da Prefeitura do Rio (Riotur).
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R$ 3,33 milhões do Governo do Estado (LIESA).
O Contraste que Revolta a Avenida
| Escola de Samba | Enredo | Verba Pública Total |
| Acadêmicos de Niterói | Homenagem a Lula | R$ 10.483.333,00 |
| Outras do Grupo Especial | Temas Culturais/Históricos | R$ 6.483.333,00 |
“Promoção Pessoal com Dinheiro do Povo”
A oposição não poupou críticas e classificou o desfile como um “comício de luxo pago pelo contribuinte”. Para parlamentares que questionam os repasses na Justiça, o uso de verba da Embratur e de uma prefeitura alinhada para exaltar o mandatário em exercício fere o princípio da impessoalidade na administração pública.
O samba-enredo, que traz ataques velados à oposição e exaltação messiânica de Lula, é visto como a prova cabal de que o dinheiro público foi usado para fins de propaganda política escancarada.
Blindagem Jurídica
Apesar do clamor popular e das ações judiciais, a escola conseguiu manter os recursos sob a blindagem da “autonomia artística”. Contudo, nos bastidores da LIESA, o clima é de insatisfação: dirigentes de outras escolas questionam por que o “amor ao samba” só rendeu cifras milionárias extras para quem decidiu cantar as glórias do Palácio do Planalto.
A pergunta que ecoa na Sapucaí é uma só: o enredo foi uma homenagem espontânea ou um projeto de marketing político financiado com o suor de quem paga impostos?





