O resultado de um projeto que envolveu mais de 30 artistas voluntários de Guarapuava já tem a data de estreia agendada. O curta-metragem Ruminância, produzido pelo coletivo criativo Craca, será exibido de maneira inédita no dia 28 de fevereiro, a partir das 17h, na praça Cândido Xavier, em frente à Prefeitura Municipal.
O evento contará com a presença de toda a equipe por trás do craca-metragem (apelido dado à produção), autoridades locais e é aberto ao público. No dia da exibição haverá feira de arte e gastronomia, além de apresentações musicais. Para Kauê Vargas, designer e um dos idealizadores da Craca, a noite será de festa. “É um momento de celebração, mas também de exposição do universo artístico que pulsa nessa cidade e que merece mais e mais chances de se destacar”, aponta.
A estreia também coloca Guarapuava em um contexto de valorização internacional do cinema brasileiro, impulsionado pelas indicações ao Oscar recebidas pelo país nos últimos dois anos. Para Kauê, o curta reflete esse movimento nacional a partir de uma perspectiva local, no interior do Paraná.
E essa realidade aponta para o futuro. “Queremos continuar nos fazendo ferramenta para que outras pessoas produzam arte, informação e comunicação. 2026 será uma fase de experimentação em diferentes áreas do fazer criativo. Queremos usar do aprendizado e laços criados dentro do projeto craca-metragem para intensificar nossa presença no cenário publicitário, artístico e formativo”.
A PRODUÇÃO
O filme foi produzido em uma maratona de 36h de gravação, distribuídas em quatro dias. Os mais de 30 voluntários trabalharam em quatro grupos autogeridos: produção de cena, atuação, assistência técnica e bastidores. Entre essas subdivisões, os integrantes se responsabilizaram pela maquiagem, figurino, suporte de produção, acompanhamento de agenda, análise técnica de objetos, cenário, verificação de cena, acompanhamento de atores e equipe técnica, entre outras funções que garantem a efetiva realização de uma produção profissional.
ROTEIRO
“Ruminância” apresenta duas versões da mesma pessoa. A primeira mostra seu lado introvertido e ansioso, que tem medo de sair da zona de conforto e vive preso em pensamentos do tipo “e se…?”, imaginando o que poderia ter acontecido. Essas fantasias aparecem nas paredes de sua casa, que representam tanto um refúgio quanto uma prisão.
A segunda versão retrata a coragem de agir, o impulso que faz dar o primeiro passo e seguir em frente. Diferente da primeira, ela não sonha com o “e se”, mas vive a experiência real: sente o medo e a adrenalina, e depois percebe que nada de ruim aconteceu por tentar.
SOBRE A CRACA
A Craca é um coletivo-agência voltado à produção independente. Sem chefes ou hierarquias rígidas, o projeto se dedica à produção cultural e à expressão artística em suas diversas formas, atuando na publicidade, identidade de marca, audiovisual (videoclipes, curtas e cinema), design gráfico e outras vertentes da arte e comunicação. Além disso, promove eventos, oficinas e encontros culturais, fomentando a cena artística local e criando um ambiente onde o conhecimento e a criatividade são compartilhados livremente.
O coletivo acredita que a arte não deve ser um privilégio nem um produto padronizado para atender às demandas do consumo. Em um mundo dominado pela lógica do lucro e da eficiência produtiva, a Craca surge como uma alternativa que valoriza o tempo, a subjetividade e a experimentação.
Além disso, a Craca atua como um espaço para experimentações artísticas de todos os tipos. Portanto, pessoas dispostas a criar por criar, sem pretensões lucrativas, podem entrar em contato com o coletivo e utilizar os equipamentos e espaço. A casa conta com câmeras, microfones, tripés, iluminação, entre outras ferramentas profissionais. Em caso de produções comerciais, o espaço da Craca também pode ser alugado para gravações.
O nome Craca vem da palavra de uso popular que remete à sujeira, aquilo que gruda e resiste. “E é exatamente essa resistência que reivindicamos. Somos a contradição viva do que o mercado espera: não estamos aqui para sermos polidos, retinhos ou encaixados em moldes convencionais. Estamos aqui para criar de forma independente, subterrânea e contraditória ao olhar hegemônico”, aponta as diretrizes que norteiam o coletivo.
Fonte:G+ Guarapuava





