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Guto Silva solta ao verbo e revela porque foi deixado de lado

O ex-secretário de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) concedeu uma entrevista a Revista Piaúi onde afirma que foi comunicado pelo governador sobre a ...[ Leia completo ]


O ex-secretário de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) concedeu uma entrevista a Revista Piaúi onde afirma que foi comunicado pelo governador sobre a mudança de planos quando já articulava a pré-candidatura e que escolha de Sandro Alex (PSD) ocorreu após veto a outros nomes e sob o argumento de que as obras do governo poderiam impulsionar a candidatura dele

A escolha do deputado federal como candidato do grupo político do governador Ratinho Junior foi resultado de uma sucessão de mudanças internas e contrariou as expectativas de aliados que até então apareciam como favoritos.

Em entrevista à revista Piauí, o ex-secretário estadual Guto Silva afirmou que foi comunicado diretamente pelo governador de que não seria mais o escolhido quando já estava em pré-campanha e articulava apoios para disputar o Palácio Iguaçu.

Segundo Guto Silva, a conversa ocorreu no início de abril, no Palácio Iguaçu. O encontro teria sido rápido e Ratinho Junior informou que precisaria fazer uma “mudança de rumo”. Até aquele momento, Guto era um dos nomes mais próximos do governador e trabalhava para consolidar sua candidatura.

“Não fui consultado no processo de ‘desconstrução’, de construir uma nova jornada. Só fui comunicado”, relatou Guto Silva à Piauí.

O ex-secretário disse ainda que teve dificuldade para compreender a mudança de estratégia depois de aproximadamente uma década de parceria política com Ratinho Junior. Segundo ele, os dois haviam participado da construção de diferentes etapas da trajetória política do grupo.

“Na política, nós [Ratinho e Guto] construímos todas as passagens, todos os desenhos”, afirmou.

Guto também contou que, naquele momento, já mantinha reuniões com deputados que haviam se comprometido com sua pré-candidatura. A decisão do governador, portanto, interrompeu uma articulação que estava em andamento.

Até então, Guto Silva e Alexandre Curi eram apontados como os principais nomes para receber o apoio de Ratinho Junior. Conforme a reportagem da Piauí, pesquisas realizadas no início do ano colocavam os dois na faixa de 15% das intenções de voto. O governador, porém, evitava anunciar publicamente quem seria seu escolhido e mencionava os dois como possibilidades.

A situação mudou quando Ratinho Junior decidiu que Guto Silva não seria o candidato. Na sequência, Alexandre Curi também deixou de ser uma opção para o governo e passou a negociar sua candidatura ao Senado.

De acordo com pessoas ouvidas pela Piauí, Alexandre Curi teria colocado como condição para permanecer no grupo governista que fosse candidato ao Senado e que Guto Silva não disputasse o Governo do Paraná. Curi, entretanto, contesta a versão de que tenha vetado o ex-secretário e afirma que houve uma negociação para preservar a unidade do grupo.

Com Guto e Curi fora da disputa pelo Palácio Iguaçu, outros nomes foram considerados. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, não aceitou a missão. O então secretário estadual da Saúde, Beto Preto, também chegou a conversar com Ratinho Junior, mas acabou descartado, segundo a reportagem, em razão de sua antiga filiação ao PT.

Foi nesse cenário que Ratinho Junior decidiu apostar em Sandro Alex, então secretário de Infraestrutura e Logística e deputado federal licenciado. O anúncio ocorreu em 13 de abril e surpreendeu setores da política paranaense.

O próprio Sandro Alex afirmou à Piauí que não esperava ser escolhido. Segundo ele, a expectativa era de que Guto Silva assumisse a candidatura.

“Eu nunca me coloquei como pré-candidato. Estava trabalhando pela unidade do grupo”, declarou.

A justificativa apresentada por Ratinho Junior aos aliados para a escolha teria sido baseada em uma pesquisa interna do PSD. De acordo com o relato publicado pela revista, o governador avaliava que Sandro tinha espaço para crescer e poderia transformar a exposição obtida à frente da Secretaria de Infraestrutura em capital eleitoral.

“As obras são o símbolo [da gestão]. Gostaria que você representasse meu time, porque você foi meu braço direito que ajudou a tirar essas obras [do papel]”, teria dito Ratinho Junior a Sandro Alex, segundo o candidato.

A estratégia, porém, começou com Sandro em posição inferior à de outros nomes nas pesquisas. Na sondagem da Quaest divulgada em 24 de agosto, por exemplo, ele aparecia com 15% das intenções de voto, enquanto Sergio Moro (PL) tinha 37%. A pesquisa reforçou a dificuldade inicial do candidato governista para transformar o apoio da máquina política e administrativa do governo em intenção de voto.

Apesar disso, o grupo de Ratinho Junior passou a construir a candidatura em torno da associação entre Sandro Alex e as principais obras da atual administração.

O secretário de Infraestrutura passou a ser apresentado como um dos responsáveis pela execução de projetos do governo, entre eles a Ponte de Guaratuba.

O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli chegou a comparar Sandro a Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro e posteriormente eleito governador de São Paulo. Alexandre Curi, por sua vez, resumiu a estratégia ao afirmar que Sandro ainda não era conhecido, mas que “100% dos paranaenses conhecem suas obras”.

A composição da chapa também passou por outra reviravolta. Rafael Greca, que aparecia à frente de Sandro em pesquisas e havia colocado seu nome na disputa pelo governo, acabou aceitando ser candidato a vice. A entrada do ex-prefeito de Curitiba foi considerada estratégica para ampliar a força eleitoral da chapa na capital e na Região Metropolitana.

A escolha de Sandro, no entanto, deixou consequências dentro do grupo. Guto Silva decidiu se afastar da disputa e disse à Piauí que se sentiu “traído em todo o processo” conduzido pelo governador.

“Agora tem que deixar a coisa oxigenar e vou cuidar da minha vida”, declarou.

O processo também afetou outros aliados. O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias desistiu da candidatura ao Senado depois de não conseguir o apoio esperado de Ratinho Junior. Na avaliação apresentada pela reportagem, o episódio evidenciou o grau de tensão provocado pelas decisões do governador na montagem das chapas para 2026.

Ratinho Junior, procurado pela revista Piauí, não concedeu entrevista e alegou problemas de agenda.

A principal dúvida que permanece no grupo governista é se o peso político de Ratinho Junior será suficiente para transformar Sandro Alex em um candidato competitivo. A estratégia depende da transferência da aprovação do governo, da exposição das obras e da estrutura formada pela aliança partidária.

A trajetória eleitoral de Sandro, portanto, começou de maneira diferente daquela imaginada por parte dos aliados de Ratinho. O nome escolhido não era o favorito inicial do grupo nem liderava as pesquisas. Foi escolhido depois que Guto Silva e Alexandre Curi deixaram de ser alternativas, Eduardo Pimentel recusou a candidatura e Beto Preto acabou descartado.

A aposta de Ratinho Junior passou a ser transformar o secretário responsável pela infraestrutura em símbolo da continuidade de sua administração. O desafio é fazer essa associação chegar ao eleitor antes que a disputa eleitoral seja definida.

Fonte:Blog do Tupan

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