O Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, reforça a importância da doação voluntária e regular para garantir o atendimento de pacientes que dependem de transfusões, lei aprovada pela Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). A data também integra as ações do Junho Vermelho, campanha internacional voltada à conscientização da população sobre a necessidade de manter os estoques abastecidos, especialmente em períodos de maior redução nas coletas.
No Paraná, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado (Hemepar) intensificou os apelos por novas doações diante da queda registrada em diferentes regiões. A preocupação é maior com os tipos O positivo (O+) e O negativo (O−), frequentemente utilizados em atendimentos de urgência, cirurgias, tratamentos oncológicos e procedimentos de alta complexidade.
A aproximação do inverno e a ocorrência de feriados prolongados costumam impactar o comparecimento de voluntários aos hemocentros. Mesmo com a diminuição do número de doadores, a demanda hospitalar permanece constante, o que exige reposição contínua das bolsas disponíveis para a rede pública de saúde.
Além das campanhas promovidas pela Secretaria da Saúde, a Alep tem aprovado iniciativas destinadas ao incentivo da participação da sociedade. As ações buscam ampliar a conscientização sobre a importância desse ato e contribuir para a manutenção de reservas adequadas nos bancos de sangue.
Presidente da Comissão de Saúde Pública da Alep, o deputado Tercílio Turini destacou que a coleta é um procedimento seguro e pode ser decisiva para salvar vidas. Médico com experiência em atendimentos de emergência, ele lembrou que transfusões são frequentemente necessárias em situações graves e incentivou a população apta a participar das campanhas.
Autor da legislação que instituiu a Campanha Julho Vermelho no Paraná, o deputado Anibelli Neto afirmou que o objetivo da medida é fortalecer a mobilização em torno da causa. A Lei nº 20.992/2020 prevê a realização de palestras, atividades educativas e ações de conscientização em todo o Estado, buscando ampliar o número de voluntários e manter o tema em evidência ao longo do ano.
A Alep aprovou leis e conta com projetos em tramitação que reforçam a conscientização sobre a importância da doação de sangue. Entre elas, a Lei nº 20.594/2021, do ex-deputado Emerson Bacil, instituiu a Semana Estadual da Conscientização e Incentivo à Doação de Sangue por parte dos servidores públicos, a ser realizada na terceira semana de dezembro.
A Lei nº 13.964/2002 concede desconto de 50% em eventos culturais, artísticos e esportivos para doadores regulares de sangue — proposta que foi incorporada ao Código de Defesa do Consumidor pela Lei nº 22.130/2024. Já a Lei nº 19.293/2017, do ex-deputado Paulo Litro, garante a isenção do pagamento de taxas de inscrição em concursos públicos e processos seletivos realizados no âmbito dos poderes do Paraná. O benefício foi ampliado pela Lei nº 22.212/2024, que passou a incluir também doadores de medula óssea e de leite humano, por iniciativa do deputado Ricardo Arruda (PL) e do ex-deputado Homero Marchese.
Do deputado Alexandre Amaro (Republicanos), a Lei nº 22.130/2025 criou a Semana Estadual da Saúde e Bem-Estar em Condomínios. Entre as ações previstas, a legislação estabelece que, na segunda semana de junho, sejam realizadas campanhas de doação de sangue, além da arrecadação de alimentos para instituições de caridade locais e outras ações solidárias.
Já a Lei nº 21.219/2022, do deputado Evandro Araújo (PSD), alterou a Lei nº 19.832/2019, que prioriza o atendimento de doadores de sangue raro e fenotipados convocados pelos bancos de sangue do Paraná. O texto define critérios técnicos para a classificação do sangue após a doação convencional, considerando antígenos além do sistema ABO e de outros grupos sanguíneos clinicamente relevantes, como Rh, Kell, Duffy, Kidd e MNS. O objetivo é garantir maior compatibilidade entre doador e receptor, reduzindo o risco de sensibilização e o desenvolvimento de anticorpos irregulares.
Do ex-deputado Nereu Moura, a Lei nº 19.441/2018 obriga a afixação de cartazes em estabelecimentos que oferecem serviços de tatuagem permanente, piercing ou maquiagem definitiva, informando sobre o impedimento temporário para a doação de sangue após esses procedimentos. Do deputado Artagão Júnior (PSD), a Lei nº 17.083/2012 obriga a adoção de medidas de segurança que evitem a troca de sangue em casos de transfusão em hospitais públicos ou privados, casas de saúde e maternidades no Paraná.
Projetos de lei
Para ampliar a cultura da solidariedade e envolver o setor produtivo nas políticas públicas de saúde, o deputado Marcelo Rangel (PSD) apresentou o Projeto de Lei 1120/2025, que institui o Selo “Movimento Pela Vida” no Paraná. A proposta prevê o reconhecimento anual de empresas e instituições que adotem políticas permanentes de promoção da saúde, do bem-estar dos trabalhadores e de incentivo à doação de sangue.
Já o Projeto de Lei 44/2025, do deputado Ricardo Arruda (PL), obriga concessionárias de serviços públicos de água, luz e gás a inserirem mensagens de incentivo à doação de sangue nas faturas de consumo.
Quem pode doar
Para doar sangue é necessário ter entre 16 e 69 anos completos. Menores de 18 anos precisam de autorização e da presença do responsável legal. Homens podem doar a cada dois meses — ou quatro vezes ao ano —, e mulheres a cada três meses, com limite de três doações anuais.
O doador deve apresentar documento oficial com foto, pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado, alimentado e hidratado, evitando alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação. A reposição do volume doado não causa nenhum prejuízo ao organismo: o plasma é reposto em 24 horas e os glóbulos vermelhos, em quatro semanas.
Uma doação pode salvar quatro vidas
A Hemorrede paranaense conta com 23 unidades responsáveis por abastecer 384 hospitais públicos, privados e filantrópicos, atendendo a 95,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. O sangue coletado é essencial para cirurgias, atendimentos de urgência e emergência, tratamentos oncológicos e outros procedimentos que dependem de transfusão.
Cada doação gera, em média, de 450 ml a 470 ml de sangue, e cada bolsa pode ser fracionada em até quatro hemocomponentes: hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado (plasma fresco congelado). Uma única doação pode salvar, no mínimo, quatro vidas.
Em 2023, foram registradas 187.128 bolsas coletadas; em 2024, o número passou para 203.925 e, em 2025, atingiu 214.377, representando um aumento de cerca de 15% no período. Em 2026, até o momento, já foram contabilizadas 86.130 bolsas — volume 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Os dados são da Sesa, e o agendamento prévio pode ser feito gratuitamente pelo site da secretaria: https://www.saude.pr.gov.br.
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Fonte:Blog do Tupan







