Por Gelson O impertinente
Com o fim das apurações do segundo turno das eleições, a militância do Partido dos Trabalhadores (PT) em Laranjeiras do Sul viveu dias de festa dupla. Celebrações à parte pela reeleição do presidente Lula, o entusiasmo no comitê local ganhou força ao conseguirem reverter o revés do primeiro turno e garantirem uma vitória na “terrinha” por uma vantagem apertada, de pouco mais de 100 votos. No calor do momento e no decorrer da semana, ouvia-se nos bastidores militantes entusiasmados já projetando o pleito municipal de 2028 e falando abertamente em assumir o Executivo.
Contudo, ao desembarcar do mundo da fantasia e pousar no chão firme da realidade, a história ganha outros contornos. A probabilidade de o PT local encabeçar uma chapa majoritária daqui a quatro anos é praticamente nula. E o motivo é simples: falta de apetite e coragem da militância local para encarar a disputa municipal de peito aberto.
Nas disputas estaduais e presidenciais, o cenário é favorável: reforços de militantes de outras regiões encorpam as fileiras locais, figurões da sigla enviam recursos e a estrutura nacional empurra o partido para a luta. Já na esfera municipal, a conversa é inteiramente outra. Falta à sigla local uma liderança com densidade política, personalidade e apelo popular suficientes para encarar as urnas por conta própria — fato que o histórico político da cidade trata de comprovar, haja vista que o PT nunca conseguiu eleger um prefeito em Laranjeiras do Sul, acumulando um desempenho bem inferior ao de diretórios vizinhos, como o de Porto Barreiro.
O retrospecto eleitoral nas últimas décadas retrata esse padrão de composição e recuo:
-
2000: O PT aceitou o papel de coadjuvante na chapa do então PMDB, indicando Gelson Boldrini como vice na candidatura de Claudir Justi.
-
2004: A fórmula se repetiu, com Nelson Gomes compondo como vice na chapa vitoriosa de Berto Silva.
-
2008: O partido sequer ocupou a vice, limitando-se a apoiar nos bastidores a coligação PMDB/PSDB liderada por Berto Silva e Valter Becker.
-
2012 e 2016: Para sermos justos, a sigla ensaiou voo solo e lançou candidatura própria. No entanto, as maiores lideranças do próprio partido na região debandaram para apoiar outros palanques.
-
2020 e 2024: O PT voltou à posição de espectador e coadjuvante, alinhando-se novamente ao grupo político do ex-prefeito Berto Silva que tambem é liderado pelo engenheiro Tilim — este último, vale registrar, figura que se declara publicamente avessa ao PT e a qualquer pauta da esquerda.
Diante desse retrospecto, fica evidente que coragem e determinação têm sido artigos raros na trajetória do PT de Laranjeiras do Sul em eleições locais. E, como o meio político é pródigo em boatos, já há quem comente à boca pequena na cidade que dois figurões do diretório local até já teriam estipulado o “preço” do apoio e dos serviços da militância para a corrida de 2028.
Imagens: Redes Sociais








