PUBLICIDADE

BANNER SUPERIOR SITE
BANNER SUPERIOR SITE

O Inútil Da Vila

  Há personagens que parecem sair diretamente de uma novela. Na pequena vila, existe um deles que chama atenção não necessariamente pelo que ...[ Leia completo ]

 

Há personagens que parecem sair diretamente de uma novela. Na pequena vila, existe um deles que chama atenção não necessariamente pelo que faz, mas justamente pelo que deixa de fazer.

 

Concursado, com cargo, salário e horário para cumprir, nosso personagem vive uma rotina aparentemente tranquila. Tão tranquila que alguns moradores chegam a se perguntar qual seria, afinal, a sua verdadeira utilidade.

 

Mas tudo muda quando se aproxima o período eleitoral.

 

É como se alguém apertasse um botão.

 

De repente, o personagem desperta. Ganha disposição para circular, conversar, opinar e, principalmente, criticar. A política, aparentemente, possui um efeito energético impressionante sobre determinadas pessoas.

 

E, como ninguém faz política sozinho, logo aparece a tradicional roda dos inconformados. É aquele grupo formado por especialistas em administração pública, economia, política e tudo mais que possa render uma boa opinião — ainda que administrar a própria rotina seja, às vezes, um desafio considerável.

 

Nosso personagem participa com entusiasmo.

 

Afinal, falar é fácil. Trabalhar é outra história.

 

Outro detalhe curioso é a chamada memória eleitoral seletiva.

 

Durante boa parte do tempo, quando precisa de algum serviço ou atendimento da administração pública, sabe exatamente a quem recorrer. Quando é atendido, a máquina pública parece funcionar perfeitamente.

 

Mas chega a eleição e, misteriosamente, algumas lembranças desaparecem.

 

A gratidão, nesse universo, parece ter prazo de validade. E, curiosamente, esse prazo costuma coincidir com o calendário eleitoral.

 

Mas o grande protagonista dessa história talvez seja outro: o carrão.

 

Adesivado, vistoso e estrategicamente estacionado onde possa ser visto, o veículo acaba se transformando em uma espécie de outdoor ambulante.

 

No pátio do trabalho, na rua ou onde houver público, lá está ele.

 

É marketing político sobre quatro rodas.

 

E aí surge uma questão interessante: até onde vai a liberdade individual e onde começa a responsabilidade de quem ocupa um espaço público ou exerce uma função pública?

 

É uma pergunta que merece reflexão.

 

Porque concurso público não é salvo-conduto. Estabilidade não significa ausência de cobrança. E exercer uma função pública pressupõe responsabilidades, deveres e respeito à hierarquia administrativa.

 

Mas, quando chega a hora da cobrança, surge a palavra mágica.

 

“Perseguição!”

 

Uma palavra extremamente versátil.

 

Questionou? Perseguição.

 

Cobrou? Perseguição.

 

Lembrou do dever funcional? Perseguição.

 

Pediu produtividade? Conspiração.

 

Talvez o problema esteja justamente aí: confundir cobrança com perseguição.

 

Em qualquer ambiente de trabalho, especialmente no serviço público, existem direitos, mas também existem deveres. E uma coisa não deveria anular a outra.

 

Enquanto isso, o carrão continua brilhando, o adesivo continua chamando atenção e a temporada política segue produzindo aquilo que parecia impossível durante o restante do ano: disposição.

 

Poucos dias de intensa atividade.

 

Depois, como acontece com quase toda temporada eleitoral, a campanha termina.

 

O movimento diminui.

 

Os discursos desaparecem.

 

E a rotina volta ao normal.

 

O adesivo talvez continue no carro.

 

Mas o trabalho continua esperando.

 

Na vila, alguns personagens são lembrados pelo que fizeram. Outros, pelo que construíram. Há ainda aqueles que ficaram conhecidos pelas grandes ideias.

 

E existe aquele personagem especial, cuja maior façanha é conseguir transformar a falta de produtividade em uma longa discussão sobre perseguição.

 

Esse é o nosso personagem.

 

O Inútil da Vila.

 

E, como toda boa sátira, fica a pergunta para o leitor:

 

Será que a carência de trabalho é realmente um problema de falta de oportunidade ou, às vezes, apenas de falta de vontade?

 

 

Leia mais

PUBLICIDADE

Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Canta Cantu Nova Laranjeiras 2026
Rolar para cima