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‘Perdi minhas economias’: crise bancária leva manifestantes às ruas do Paraguai

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Clientes do Ueno Bank foram às agências em busca de informações sobre seus depósitos e participaram de manifestações em Assunção após a suspensão das operações da instituição. –

A crise do Ueno Bank colocou à prova a imagem de estabilidade econômica frequentemente associada ao Paraguai, conhecido por alguns como “Suíça dos Trópicos”. A instituição, que afirma ter cerca de 3 milhões de clientes, teve as operações suspensas após o Banco Central constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido.

A situação provocou preocupação entre correntistas, que procuraram agências em busca de informações sobre suas economias e a liberação dos valores depositados. Em Assunção, clientes também realizaram protestos para cobrar respostas das autoridades e a devolução dos recursos.

O Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento de resolução do Ueno Bank em 2 de novembro, após identificar a insuficiência de capital. A medida busca organizar o processo e proteger os depositantes, além de preservar a estabilidade do sistema financeiro.

Recursos públicos estão envolvidos

A crise também ganhou dimensão política devido à exposição do banco a recursos públicos. A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em fundos estatais, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS), estimados entre US$ 355 milhões e US$ 380 milhões.

O cenário gerou preocupação entre aposentados e beneficiários que utilizavam o banco para receber pagamentos. A estimativa é de que cerca de 32 mil aposentados recebiam seus benefícios por meio da instituição.

O Fundo de Garantia de Depósitos prevê cobertura de até 75 salários mínimos por pessoa e por instituição, equivalente a aproximadamente 228,3 milhões de guaranis. O Banco Central também anunciou uma primeira etapa de pagamento de até 10 milhões de guaranis por depositante, com os valores restantes sujeitos a um cronograma.

VÍDEO

Cerca de 3 milhões de clientes foram afetados; protestos foram registrados em Assunção. | Autor: Divulgação.

Crise tem repercussão política

A situação provocou mudanças na cúpula econômica do país. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, apresentou renúncia após pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña. Carvallo havia comandado o Ueno Bank até 2023.

O caso também envolve questionamentos sobre as relações entre o banco e o Grupo Vázquez, ligado ao empresário Miguel Vázquez. Peña manteve vínculos comerciais com o grupo até março de 2025.

O Ministério Público solicitou investigações criminais e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição. Os dirigentes foram alvo de mandados no decorrer das apurações, que buscam esclarecer as circunstâncias da crise e possíveis irregularidades.

Enquanto isso, manifestações foram registradas em Assunção, com clientes e aposentados cobrando acesso ao dinheiro e explicações sobre a situação do banco. A crise também provocou pressão sobre o governo e discussões no Congresso paraguaio sobre medidas para garantir a devolução dos recursos.

Resumo

Ueno Bank teve as operações suspensas após o Banco Central identificar índice de solvência abaixo da metade do mínimo exigido.

Cerca de 3 milhões de clientes foram afetados; protestos foram registrados em Assunção.

A crise envolve recursos públicos, renúncia no Banco Central e investigação contra dirigentes da instituição.



Fonte:A Rede PG

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