Na vila, há situações que parecem se repetir como uma velha história: enquanto alguns estão ocupados trabalhando, outros parecem encontrar tempo de sobra para falar sobre quem trabalha.
Certo dia, um deputado, cheio de boas intenções e com o propósito de ouvir diferentes pessoas e buscar ideias que pudessem contribuir para o futuro da comunidade e do Estado, promoveu uma reunião acompanhada de um almoço. O convite foi feito também a dois personagens conhecidos pelo discurso: justamente aqueles que poderiam, quem sabe, apresentar alguma ideia promissora, uma sugestão ou até mesmo uma proposta capaz de ajudar a população.
A expectativa era simples: reunir pessoas, conversar, ouvir e construir.
Mas, para surpresa de ninguém, a oportunidade passou pela mesa e não encontrou contribuição.
Os dois convidados — o inútil e o fiscalizador, mais inútil ainda — mais uma vez, não apresentaram nenhuma ideia concreta, nenhuma proposta consistente, nenhuma sugestão que pudesse sair do papel. Quando o assunto era contribuir, o silêncio tomava conta. Quando o assunto mudou para falar mal da administração atual, porém, a disposição reapareceu.
E assim, a expectativa de que os dois personagens pudessem contribuir com alguma ideia de trabalho acabou mudando o rumo do que algumas pessoas imaginavam para a reunião. Os dois deixaram a pauta de lado, e a conversa passou a girar novamente em torno das críticas políticas.
É curioso como algumas pessoas conseguem transformar qualquer mesa em palanque do mal. Não importa se o encontro foi organizado para construir, ouvir ou buscar soluções: sempre existe alguém disposto a puxar o assunto para a velha fórmula de apontar defeitos nos outros.
Na vida pública, criticar é fácil. Mais fácil ainda quando não se carrega a responsabilidade de executar aquilo que se critica.
Difícil é apresentar uma ideia.
Difícil é assumir uma responsabilidade.
Difícil é colocar um projeto em prática e enfrentar os problemas que aparecem pelo caminho.
Porque quem vive de trabalho sabe que uma boa ideia não termina na conversa. Ela precisa de planejamento, dedicação, recursos, persistência e, principalmente, disposição para fazer acontecer.
No fim daquele almoço, ficou uma impressão difícil de esconder: alguns convidados tiveram a oportunidade de colaborar e colaboraram com ótimas ideias. Já o inútil e o fiscalizador preferiram transformar a oportunidade em mais um momento de discurso político, indo de encontro ao verdadeiro objetivo do encontro.
E talvez isso explique muita coisa.
Há pessoas que, quando chamadas para trabalhar, descobrem que determinada tarefa “não é atribuição do cargo”.
Mas, quando surge uma oportunidade de falar mal de quem está trabalhando, curiosamente, encontram disposição, tempo e assunto.
Na vila, infelizmente, isso também acontece.
E fica a velha lição: quem não contribui com trabalho dificilmente terá uma boa ideia sobre como trabalhar.
Falar é fácil. Fazer é que separa o discurso da realidade.








