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Qualidade da matéria-prima e escala de produção determinam a remuneração final paga aos pecuaristas no Paraná –
O mercado lácteo no Paraná encerra o segundo semestre de 2026 sob sinal de alerta para os produtores rurais. A diretoria do Conseleite-Paraná, reunida na sede da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), em Curitiba, aprovou e divulgou as novas tabelas de valores de referência para a matéria-prima leite. Os dados confirmam uma trajetória de queda nos preços pagos no campo, puxada pela desvalorização dos principais derivados industriais no atacado.
Para as entregas realizadas em agosto, cujo pagamento aos pecuaristas ocorre ao longo do mês de setembro, o Leite Padrão teve fixação em R$ 2,5930 por litro, o que representa um recuo de 0,95% na comparação com o mês de julho, quando a referência estava em R$ 2,6179 por litro. No mesmo período, o teto de remuneração para matérias-primas de alta qualidade, denominado Maior Valor de Referência, ficou em R$ 3,2672 por litro, enquanto o piso de liquidação, referente ao Menor Valor de Referência, fechou em R$ 2,4374 por litro. Todos os valores consideram a modalidade “posto propriedade”, na qual o frete não é descontado do produtor rural, já inclusos os 1,63% relativos à contribuição do Funrural.
Se a retração registrada em agosto foi moderada, as estimativas projetadas pelo conselho para as entregas de setembro, com pagamento previsto para outubro, apontam para um cenário de maior pressão sobre a margem dos produtores. A previsão indica uma queda linear de 3,08% em todas as faixas de referência, projetando o Leite Padrão para R$ 2,5267 por litro, o Maior Valor de Referência para R$ 3,1837 por litro e o Menor Valor de Referência para R$ 2,3751 por litro.
Esse reajuste negativo do leite in natura no campo reflete diretamente o desempenho do mercado atacadista de derivados no estado. O setor industrial paranaense enfrentou desvalorizações expressivas nas cotações de suas principais linhas de produtos.
O leite UHT registrou queda de 1,42% entre julho e agosto, acompanhada por uma retração parcial projetada de 5,09% entre agosto e setembro. O queijo muçarela apresentou variação negativa de 4,87% no primeiro período e recuo adicional de 2,04% na prévia de setembro. Já o leite spot teve uma desvalorização de 4,32% no último mês e projeta novo recuo de 5,84% no período seguinte, enquanto os demais produtos tiveram alta de 1,00% em agosto, mas projetam queda de 1,33% em setembro.
Apesar da tendência geral de baixa nos preços base, o modelo de precificação do Conseleite-PR preserva mecanismos que premiam a qualidade e o volume entregue pela propriedade. O leite classificado como Padrão exige 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, até 500 mil células somáticas por mililitro (CCS), até 300 mil unidades formadoras de colônias por mililitro (CPP) e volume diário de até 300 litros. Conforme o desempenho nesses parâmetros, o produtor pode sofrer descontos de até 6% ou obter bonificações que chegam a 26%, aplicadas a volumes superiores a 3.000 litros diários e teores elevados de gordura e proteína combinados a baixos índices de contagem bacteriana e somática.
As informações foram divulgadas pelo portal MilkPoint.
Fonte:A Rede PG








