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Perdeu Piá na mira de colunista político

Agenor Mendes Pedreira, confesa no Hoje PR, aos quatro ou cinco leitores, aqueles heróis anônimos que insistem em desperdiçar minutos preciosos de suas ...[ Leia completo ]


Agenor Mendes Pedreira, confesa no Hoje PR, aos quatro ou cinco leitores, aqueles heróis anônimos que insistem em desperdiçar minutos preciosos de suas vidas com estas mal traçadas linhas, que eu estava sem ter muito o que fazer.

Um dos privilégios de ser colunista do HOJEPR é exatamente esse, a boa vida. A rara e quase indecente possibilidade de não depender de emprego formal, relógio de ponto ou chefe com hálito de café requentado.

Pois bem. Entre um episódio e outro de uma série true crime no Netflix, porque até o ócio precisa de narrativa, recebo a mensagem de um leitor indignado. Um dos poucos, repito, mas barulhento o suficiente para me arrancar do sofá.

Dizia ele, com a fúria cívica que só a internet ainda consegue produzir, que o vereador Da Costa do Perdeu Piá (sim, esse é o nome, não é invenção minha, a realidade, às vezes, escreve melhor que qualquer cronista) não teria feito absolutamente nada neste ano além de gravar videozinhos para lacrar nas redes sociais.

Ora, ora.

Diante da gravidade da denúncia, e da minha formação jurássica de jornalista, daqueles que ainda checam informações, resolvi agir. Sim, caros leitores, eu ainda sou desses. Um dinossauro que consulta fontes, cruza dados e sente urticária só de ouvir a palavra “influencer”.

Fui ao portal da Câmara Municipal de Curitiba. Consulta pública, aberta e transparente. Não precisa confiar em mim, basta acessar e verificar. E eis que o leitor indignado, para minha surpresa (e leve decepção, confesso), estava absolutamente correto.

Em 2026, o nobre vereador Perdeu Piá não protocolou um único projeto de lei. Nem ordinário, nem complementar, nem decreto legislativo. Nada. Zero. Um deserto legislativo digno de estudo geológico. Em quatro meses e meio de mandato, a produção parlamentar é rigorosamente nula.

E aqui cabe uma reflexão, com a ironia que me resta e a paciência que me falta. A população elege um vereador para… não trabalhar? Porque é exatamente isso que os dados mostram. E não são dados secretos, escondidos em cofres suíços. Estão ali, à vista de qualquer cidadão com acesso à internet e um mínimo de curiosidade.

Para não ser acusado de injustiça pelos adoradores do vereador, aqueles que endeusam políticos e os tem como pets de estimação, e que invadem o Instagram desse portal, que insiste em me ter no seu rol de colunistas, aos berros e xingamentos a algumas gerações da minha família, fui olhar o desempenho de 2025 do parlamentar.

Sim, me critiquem, ainda cultivo certos valores antiquados, entre eles o de fuçar em todas as informações possíveis. E, por um breve momento, me animei: 21 projetos de lei ordinária protocolados. Um sopro de esperança! Uma fagulha de atividade!

Durou pouco.

Nenhum desses projetos avançou. Arquivados, devolvidos para “ajustes”, retirados pelo próprio autor, enfim, na conta de padaria, aquela que não depende de comissão técnica, o resultado é o mesmo: zero. Um zero mais elaborado, talvez, mas ainda assim um zero.

E aqui entramos em uma categoria fascinante da fauna política: o vereador ornamental. Aquele cuja existência institucional é quase decorativa. Está lá, ocupa espaço, eventualmente produz algum ruído, geralmente em formato de vídeo vertical, mas, no que interessa, pouco ou nada entrega.

Mas calma, justiça seja feita, algo chamou minha atenção.

Nos mesmos quatro meses e meio de mandato deste ano, encontrei sete requerimentos justificando faltas às sessões por “atividades inerentes ao mandato”. Sete. Considerando que a Câmara de Curitiba realiza sessões às segundas, terças e quartas, três dias por semana, é uma taxa respeitável de ausência.

Perdeu Piá (não consigo ler sem dar risada…enfim) não chega a ser recordista. Há colegas mais empenhados nessa arte da ausência produtiva. O vereador Guilherme Kilter, por exemplo, já acumula dez faltas neste ano. Em uma delas, justificou que estava na casa legislativa… no banheiro. Confesso que não aprofundei a investigação. Há limites até para o jornalismo investigativo.

Mas chequei as faltas de outros vereadores, de ambos os lados da polarização política que envergonha o país. Tratarei dessa baixaria em uma próxima coluna. Material, ao que parece, não faltará, ao contrário de alguns vereadores.

Agora, o detalhe mais saboroso e talvez mais indigesto para o contribuinte. Nenhuma dessas faltas gera desconto no salário. A Câmara de Curitiba mantém o curioso, e generoso, hábito de aceitar o tal “requerimento de justificativa de falta às sessões por atividades inerentes ao mandato” como salvo-conduto financeiro. Se não for feito esse requerimento aí sim rola um desconto. Nenhum vereador esquece, portanto, de protocolar.

Traduzindo: o vereador não apresenta projeto, falta às sessões e segue com o contracheque intacto.

Convenhamos, é o emprego dos sonhos.

Trocando em miúdos, o Perdeu Piá não protocola um projeto sequer, ausenta-se das sessões com frequência respeitável para, ao que parece, gastar o dinheiro que o contribuinte paga no seu salário à produção audiovisual para as redes sociais e, ao final do mês, tudo segue como se nada tivesse acontecido.

Uma estabilidade funcional que faria inveja a qualquer servidor público e a qualquer trabalhador que, ingenuamente, ainda acredita que salário pressupõe trabalho.

Eu, que comecei este texto sem ter muito o que fazer, termino com a sensação oposta. Há muito a ser feito. Pena que não por todos.

Mas, por ora, volto ao meu sofá. Afinal, alguém precisa manter viva a tradição do jornalista que observa, ironiza e, quando necessário, levanta, ainda que a contragosto, para conferir o óbvio. Quem perdeu não foi o piá, quem perdeu foi Curitiba.

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Fonte:Blog do Tupan

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