Uma representação protocolada na Justiça Eleitoral expôs uma suposta manobra envolvendo alunos de um colégio de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Assinada pelo advogado Thiago Chamulera, a denúncia acusa os candidatos Thiago Bührer (PSD), que disputa a reeleição para deputado estadual, e Marcelo Setim Dal Negro (PP), candidato a deputado federal, de utilizarem a máquina pública e o ambiente escolar para impulsionar suas campanhas.
De acordo com o documento, os estudantes foram convidados para uma atividade extraclasse com a promessa de aprendizado sobre Educação Financeira e Orçamento Público, mediante o acréscimo de três pontos na média da disciplina. No entanto, ao comparecerem ao evento, os alunos se depararam com um verdadeiro comício: em vez da aula prevista, ouviram pedidos explícitos de voto para que Bührer retorne à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e para que Dal Negro conquiste uma vaga na Câmara Federal.
A situação motivou uma medida urgente na Justiça. Na noite de ontem (11/08), o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) concedeu uma liminar determinando a proibição do encontro, por volta das 17h30. Contudo, como o evento estava agendado para as 19h, os servidores do órgão não conseguiram entregar a notificação a tempo, o que permitiu que a atividade ocorresse dentro da normalidade. Hoje, novas ações devem ser protocoladas e, se acatadas, podem render pesadas multas aos envolvidos.
O encontro teve a articulação do professor Abelino Pereira de Souza. Nas redes sociais, ele divulgou a iniciativa como sendo uma “apresentação de pré-candidatos” — termos que contrastam com a justificativa pedagógica apresentada aos pais para que autorizassem a saída dos filhos da sala de aula. Insatisfeitos com a abordagem, alunos simpatizantes de espectros políticos de esquerda chegaram a articular, durante o trajeto de volta para a escola, o uso do aplicativo “Pardal”, ferramenta oficial da Justiça Eleitoral para denúncias de irregularidades, a fim de dar início a uma investigação formal sobre o caso.

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