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Os fiscalizadores da estrada e a festa da comunidade

Por Aldrovando Cantagalo. Dizem que toda comunidade tem seus trabalhadores, seus festeiros, seus voluntários e, claro, seus fiscais de plantão. Nas estradas do ...[ Leia completo ]

Por Aldrovando Cantagalo.

Dizem que toda comunidade tem seus trabalhadores, seus festeiros, seus voluntários e, claro, seus fiscais de plantão.
Nas estradas do interior da vila não foi diferente.
Enquanto as máquinas trabalhavam, o cascalho era espalhado e a poeira levantava, alguns observadores especiais apareceram (Os fiscalizadores).
Não carregavam ferramentas, não operavam máquinas e muito menos ajudavam no serviço.
Mas tinham algo em abundância: opinião.
E como opinião, quando não vem acompanhada de trabalho, costuma sobrar, começaram as análises.
Olharam a estrada daqui.
Olharam o serviço executado dali.
Procuraram uma imperfeição.
Depois outra.
E mais outra.
Afinal, quando a intenção é encontrar defeito, até estrada asfaltada recentemente parece ter buraco.
O curioso é que ninguém viu esses mesmos fiscais chegando com uma pá na mão, ajudando a espalhar cascalho.
Também não apareceram para enfrentar a poeira, o sol ou as dificuldades de quem estava trabalhando.
Mas, para criticar, estavam prontos.
E é aí que mora a diferença entre quem fiscaliza para ajudar e quem fiscaliza apenas para falar.
Aquela estrada, entretanto, tinha um significado maior.
Era o caminho de uma comunidade que estava se preparando para uma festa.
Uma festa feita por gente que trabalha, que se organiza, que se preocupa com cada detalhe e que quer receber seus visitantes de braços abertos.
Os moradores não estavam preocupados em criar problema.
Estavam tentando resolver.
Enquanto uns levantavam poeira com as máquinas, outros levantavam poeira com os comentários.
E talvez essa segunda poeira tenha incomodado muito mais.
Porque crítica construtiva é bem-vinda.
Sugestão é sempre importante.
Apontar um problema e ajudar a encontrar a solução é atitude de quem realmente se importa.
Agora, ficar de longe procurando defeito em tudo é outra história.
É como torcer para o bolo dar errado enquanto se espera o convite para comer um pedaço.
Mas a equipe que cuidava da estrada e a comunidade não entrou nessa conversa.
Preferiu continuar trabalhando.
Porque sabe que estrada boa não nasce de comentário.
Nasce de máquina, cascalho, suor e disposição.
E festa bonita também não nasce de fofoca.
Nasce de união.
No fim, os “fiscalizadores” conseguiram uma coisa: deram assunto.
Mas não conseguiram parar o trabalho.
A estrada continuou sendo melhorada.
A festa continuou sendo preparada.
E a comunidade continuou unida.
Quanto aos críticos?
Fiquem tranquilos.
O convite continua de pé.
Podem vir para a festa.
A estrada estará esperando.
A comunidade também.
Só não precisam levar o colete de fiscal.
Porque, dessa vez, a festa é para comemorar — não para procurar defeito.
E fica uma última reflexão:
Quem passa a vida procurando problema nos outros talvez nunca perceba que o maior buraco pode estar justamente no caminho que escolheu para chegar até eles.

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