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Feturismo questiona gastos ou se é hora de priorizar saúde, educação e infraestrutura?

A realização do Verão Maior Paraná na temporada 2026/2027 entrou no centro de um debate sobre as prioridades dos gastos públicos. Diante das ...[ Leia completo ]


A realização do Verão Maior Paraná na temporada 2026/2027 entrou no centro de um debate sobre as prioridades dos gastos públicos. Diante das dificuldades financeiras apontadas por setores da economia, de cancelamentos e adiamentos de eventos em municípios e dos riscos associados à previsão de chuvas intensas no Sul do país, a Feturismo (Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento, Lazer e Turismo do Paraná) pretende propor uma consulta popular para discutir a manutenção da programação de grandes shows no litoral.

A questão vai além de decidir se haverá ou não apresentações musicais durante o verão. O debate envolve a destinação de recursos públicos para contratar artistas de grande projeção nacional, muitos deles nomes consagrados há décadas, mas cujas atrações e estilos musicais nem sempre representam a diversidade de interesses do público. Também entram na discussão os cachês, frequentemente elevados, e o custo total de estrutura, logística, segurança e organização dos eventos.

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A pergunta levantada pela entidade é se, diante das atuais circunstâncias, o Estado deve manter os investimentos em grandes espetáculos ou se seria mais prudente direcionar parte desses recursos para áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura, segurança e Defesa Civil.

A Feturismo argumenta que a sociedade precisa participar dessa decisão antes do início da temporada. A entidade aponta uma sequência de cancelamentos e adiamentos de eventos em diferentes municípios, além de dificuldades na formalização e no cumprimento de convênios e contratos públicos. Essas situações, segundo o setor, provocam prejuízos para empresas, produtores, fornecedores e trabalhadores ligados ao turismo e ao entretenimento.

Outro ponto apresentado pela federação é a preocupação com o cenário climático. A previsão de um El Niño de forte intensidade durante a primavera e o verão de 2026/2027 aumenta a atenção para a possibilidade de chuvas acima da média, tempestades, vendavais e alagamentos no Sul do Brasil. Nesse contexto, a entidade defende que o Paraná tenha recursos e estrutura disponíveis para responder a possíveis emergências.

O Verão Maior se consolidou como uma das principais vitrines turísticas do Estado, com apresentações gratuitas que atraem moradores e visitantes para o litoral. Os defensores do programa argumentam que os shows movimentam hotéis, restaurantes, bares, comércio e serviços, gerando empregos e renda em um período importante para a economia das cidades litorâneas.

Mas esse argumento precisa ser acompanhado de números. Quanto o Estado gasta com cachês e estrutura? Qual é o retorno econômico efetivamente gerado? Quanto desse movimento chega aos pequenos comerciantes e trabalhadores locais? E qual seria o impacto de reduzir a programação ou substituir grandes atrações por atividades culturais e esportivas de menor custo?

A discussão não precisa ser reduzida à oposição entre cultura e serviços públicos. Eventos gratuitos também podem ter importância econômica e social, mas a realização de grandes shows com dinheiro público exige transparência sobre custos, contratos e resultados. Da mesma forma, a decisão de manter o programa não pode ignorar as necessidades de outras áreas da administração.

A proposta da Feturismo abre espaço para uma pergunta que merece ser respondida pela população: em um cenário de restrições orçamentárias e riscos climáticos, o Paraná deve continuar investindo em grandes shows durante a temporada de verão ou seria melhor preservar esses recursos para obras, saúde, educação e preparação para emergências?

A decisão sobre o Verão Maior não deveria ser tomada apenas pelo calendário de eventos ou pelo apelo de artistas conhecidos. O ponto central é estabelecer quais são as prioridades do Estado e demonstrar, com dados, se o investimento na programação traz retorno suficiente para justificar seu custo.

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Fonte:Blog do Tupan

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